Estudos indicam que a equidade é essencial para sobreviver a futuras pandemias
Pesquisadores reforçam a importância de recursos acessíveis para toda a população mundial
Uma pesquisa global aponta que desigualdades no acesso a recursos de proteção podem determinar o sucesso ou fracasso na resposta a futuras crises sanitárias.
Segundo uma investigação publicada na revista científica The Lancet e desenvolvida por uma equipe de mais de cem pesquisadores de diversas áreas, a preparação para futuras pandemias deve priorizar a equidade, ou seja, a distribuição justa de recursos de proteção à saúde. A pesquisa, apresentada na Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro, analisa as lutas enfrentadas durante a Covid-19 e recomenda ações que possam evitar falhas similares em possíveis novos surtos.
De acordo com o estudo, a resposta global à pandemia foi marcada por um verdadeiro fracasso, especialmente por fatores relacionados às desigualdades sociais e ao acesso desigual a recursos essenciais, como vacinas, testes e medicamentos. A equipe afirma que, para salvar vidas, é fundamental não apenas fortalecer os sistemas de saúde, mas também atacar as raízes das vulnerabilidades estruturais. Segundo a cientista política Marcela Schenck, coordenadora do estudo de caso do Uruguai e integrante da comissão Prime, "enfrentar essas desigualdades é tão decisivo quanto melhorar as capacidades técnicas dos sistemas de saúde".
O estudo também evidencia que as mudanças no ambiente, como o aquecimento global, a urbanização acelerada e os conflitos, aumentam a probabilidade de pandemias futuras. Além disso, a investigação enfatiza que os sistemas de proteção social e de governança precisam ser mais eficientes. O principal ponto defendido pelos pesquisadores é que as falhas não estão apenas na preparação técnica, que envolve planos e recursos, mas na funcionalidade dessas estratégias sob pressão, ou seja, na preparação integral dos sistemas.
Para ilustrar esses conceitos, o estudo modelou uma hipotética próxima pandemia de influenza A, analisando o impacto em diferentes países de acordo com suas estratégias de resposta. Ainda não há confirmação oficial sobre quais países seriam mais vulneráveis ou quais medidas seriam mais eficazes, já que todas essas análises estão em fase de pesquisa e discussão acadêmica. O que se sabe é que a prioridade para evitar que falhas do passado se repitam é garantir que a proteção seja proporcional e acessível globalmente, para que toda a população, independentemente do local onde viva, receba os recursos necessários para se prevenir e combater uma crise sanitária.
O que sabemos?
- A resposta global à Covid-19 é considerada um fracasso pelos pesquisadores.
- A desigualdade no acesso a recursos de proteção foi um fator decisivo na resposta à pandemia.
- A pesquisa destaca a importância de estruturar sistemas que funcionem sob pressão, além de planos e recursos técnicos.
- A mudança climática e outros fatores ambientais aumentam a ameaça de futuras pandemias.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





