Saúde

Estudo de estudante da USP premiado internacionalmente investiga dor crônica em jovens

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Pesquisa realizada em Harvard aponta diferenças no cérebro de adolescentes com dor persistente, destacando o impacto do aspecto emocional.

Imagem ilustrativa de ressonância magnética do cérebro de adolescente
Imagem: Jornal da USP

João Pedro Costa Cruz, estudante de Medicina da USP, recebeu reconhecimento por pesquisa que relaciona estresse, alterações cerebrais e dor crônica em crianças e adolescentes, com foco na assimetria do hipocampo.

Um estudante de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) conquistou destaque internacional ao receber um prêmio durante uma conferência da Society for Neuroscience (SfN). Segundo informações divulgadas pelo Jornal da USP, João Pedro Costa Cruz, do 4º ano, foi premiado pelo estudo intitulado "Hippocampal asymmetry as a structural affective correlate in pediatric chronic widespread pain", que investiga as ligações entre estresse, mudanças neurológicas e a persistência da dor em crianças e adolescentes, sobretudo quando relacionada a aspectos emocionais.

O trabalho foi desenvolvido durante um período de pesquisa na Harvard Medical School, onde João Pedro atuou como pesquisador visitante no Fetal-Neonatal Neuroimaging and Developmental Science Center, em colaboração com o Departamento de Anestesiologia, Cuidados Críticos e Medicina da Dor. Segundo o estudante, a pesquisa envolveu pacientes do Boston Children’s Hospital e utilizou exames de ressonância magnética para avaliar alterações na estrutura cerebral, especialmente na região do hipocampo, responsável por funções relacionadas às emoções.

O estudo revelou que esses adolescentes apresentaram aumento de volume no hipocampo, porém de forma assimétrica, com o lado esquerdo crescendo mais que o direito. Essa assimetria foi associada a sintomas depressivos e, segundo João Pedro, pode indicar a dimensão afetiva da dor crônica nesta faixa etária. Ele explicou que "para tratar essa criança, muitas vezes, tratar o componente psicológico talvez a faça melhorar muito mais do que tratar a dor diretamente, como se fosse qualquer outra dor. Há um componente emocional, um componente afetivo, que é muito mais importante para que essa dor aconteça do que um componente realmente físico".

Apesar do reconhecimento, fontes ainda não confirmaram oficialmente se essa assimetria do hipocampo poderá ser usada como biomarcador para orientar tratamentos mais focados na dimensão emocional da dor. O estudo busca ampliar a amostra, investigar novos biomarcadores e possíveis intervenções, além de contribuir para uma compreensão mais aprofundada do impacto do estresse e das emoções na dor crônica em jovens. João Pedro destaca que, apesar de atualmente os tratamentos já considerarem esses fatores emocionais, ainda é difícil determinar seu peso exato em cada paciente, e a pesquisa tenta avançar nesse entendimento.

Essa iniciativa faz parte da trajetória do jovem na área de neuroimagem e psiquiatria, que começou ainda na graduação na USP, e agora foca na dor pediátrica. Ainda em andamento, o estudo promete influenciar futuras estratégias de tratamento, considerando o papel crucial do componente emocional na dor crônica, especialmente na população jovem, uma faixa ainda pouco estudada nesse contexto.

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O que sabemos?

  • Estudo de estudante da USP premiado internacionalmente
  • Pesquisa investiga reações cerebrais à dor em crianças e adolescentes
  • Realizada na Harvard Medical School com pacientes do Boston Children’s Hospital
  • Descobriu assimetria no aumento do volume do hipocampo relacionada a sintomas depressivos
  • Busca contribuir para tratamentos que envolvem o componente emocional na dor crônica

Fontes

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