Estudo revela que mulheres sentem dor com mais frequência e intensidade que homens
Pesquisa global analisou dados de milhões de pessoas e aponta diferenças em diversas regiões do corpo
Um levantamento de grande escala, que envolveu mais de 6 milhões de indivíduos de 118 países, mostra que mulheres relatam dores mais frequentes e fortes em comparação aos homens. A pesquisa abrange idades de 5 a 100 anos e diversas áreas do corpo.
De acordo com um estudo recente publicado na revista Nature Medicine, as mulheres sentem dores com maior frequência e intensidade do que os homens. Conduzido com dados de mais de 6,1 milhões de pessoas de 118 países, o levantamento avaliou relatos de dor em diferentes regiões do corpo, incluindo cabeça, rosto, pescoço, ombro, tórax, abdômen, cotovelo, mão, punho, quadril, joelho, pé e tornozelo, entre os anos de 1990 e 2025. Segundo Marta Miret, pesquisadora e professora do departamento de Psiquiatria da Universidade Autônoma de Madri, as mulheres apresentam uma prevalência maior de dor em todas essas regiões e em todas as fases da vida. Ela explica que essa diferença é resultado de causas "múltiplas", incluindo maior incidência de doenças que causam dor e condições tradicionalmente mais estudadas nesse sexo, como enxaqueca menstrual, endometriose e artrite reumatoide, uma doença autoimune conhecida por gerar dores intensas.
O estudo também apontou diferenças específicas na incidência de dores de diferentes intensidades. Entre elas, a dor facial, que apresenta uma probabilidade de 83% de ocorrer em mulheres, seguida pela dor de cabeça, que afeta 74%, e dor abdominal, com 60%. Além disso, a análise indicou que as mulheres têm 52% mais chances de experimentar dores de alta intensidade. Quando o assunto é dor generalizada, o número sobe para 50%, e na ocorrência de qualquer dor no corpo, chega a 16%. Esses números reforçam a tendência de que o gênero feminino suporta não só dores mais frequentes, mas também de maior intensidade, o que pode impactar diversas áreas da saúde e da qualidade de vida das mulheres.
Apesar de os dados reforçarem o que já era percebido em estudos anteriores, a professora Marta Miret destaca que ainda há uma grande necessidade de aprofundar as investigações para entender melhor as causas dessa diferença. Ainda não há um consenso completo na comunidade científica, e a própria pesquisa reforça que fatores hormonais, biológicos e sociais podem contribuir para essa disparidade. De qualquer forma, o estudo revela uma tendência global significativa, demonstrando que o tema da dor, muitas vezes subestimado, afeta de modo desproporcional o público feminino.
O que sabemos?
- Mulheres sentem dor com mais frequência do que homens.
- O estudo analisou dados de mais de 6,1 milhões de pessoas.
- Foram avaliadas dores em 11 regiões do corpo, de 1990 a 2025.
- Mulheres apresentaram maior prevalência de dor em todas as regiões e idades.
Fontes
- G1 imprensa
- G1 imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa
- CNN Brasil imprensa




