Sistema de saúde britânico enfrenta crise semelhante ao do Brasil, aponta médica brasileira
Ana Luíza Gibertoni Cruz revela diferenças e lições entre NHS e SUS
Especialista brasileira que trabalha no Reino Unido comenta os desafios atuais dos sistemas públicos de saúde e destaca a forte dependência do médico como autoridade final no Brasil.
A crise pelo sistema de saúde britânico, o NHS (National Health Service), tem despertado atenção global sobre os desafios de gerir uma rede pública de saúde eficiente. Segundo a médica brasileira Ana Luíza Gibertoni Cruz, que atua em um hospital de Oxford, é comum fazerem uma comparação entre o NHS e o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. Em entrevista, ela apontou que, enquanto o NHS passa por uma das suas maiores crises, o Brasil ainda mantém um modelo em que "tudo é muito focado no médico como autoridade final".
Formada no Brasil, com residência no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, Ana Gibertoni explica que, desde 2012, trabalha no NHS, que serviu de referência para a criação do SUS. Ela atua atualmente em uma unidade hospitalar no interior de Oxford, que tenta solucionar um dos problemas mais graves do sistema britânico: como oferecer atendimento primário de qualidade à população sem sobrecarregar os prontos-socorros e hospitais. Segundo ela, o governo britânico lançou, em 2025, um plano de dez anos para reformar o NHS, com foco em três eixos principais: transferir parte do atendimento hospitalar para a atenção básica na comunidade, acelerar a digitalização dos processos e ampliar a prevenção de doenças.
Ela destaca que esse modelo de mudança busca reduzir a sobrecarga nos grandes centros hospitalares, algo que o SUS também enfrenta atualmente, considerando a crescente demanda por atendimentos primários. Ainda assim, ela reforça que a dependência excessiva do médico como autoridade máxima no Brasil dificulta esses avanços. "No Brasil, tudo ainda é muito focado no médico como autoridade final, o que pode atrasar ou complicar a implementação de mudanças mais eficientes", afirma.
A comparação feita por Ana também evidencia que o NHS, apesar de suas dificuldades, busca aprender com suas crises para inovar e se adaptar a um cenário de alta demanda e recursos limitados. Ela salienta que o Brasil pode aprender com essas lições, especialmente na digitalização e na descentralização do atendimento, para desafogar seus hospitais e melhorar o atendimento primário, ainda que o contexto seja bem diferente. A profissional brasileira acredita que compreender as dificuldades de um sistema que é motivo de orgulho para muitos britânicos pode ser uma oportunidade de reflexão para as nossas próprias políticas de saúde pública.
Embora as mudanças em curso e as diferenças institucionais ainda estejam em estágio inicial de implementação, a conversa entre os sistemas britânico e brasileiro mostra que, tanto num quanto no outro, a necessidade de ampliar a atenção na prevenção, fortalecer o atendimento primário e descentralizar o cuidado vem ganhando atenção. Ainda não há confirmação oficial de que o Brasil seja diretamente impactado por essas reformas no Reino Unido, mas a experiência do NHS certamente levanta questões importantes sobre qual o caminho mais eficaz para garantir uma saúde pública sustentável e de qualidade para todos.
O que sabemos?
- Ana Gibertoni Cruz trabalha no NHS desde 2012.
- O NHS enfrenta uma das suas maiores crises atualmente.
- Plano de reforma do NHS foi lançado em 2025, com previsão de dez anos.
- O esquema inclui transferência de parte do atendimento hospitalar para a atenção primária.
- No Brasil, ainda há forte foco na autoridade do médico na atenção primária.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa
- G1 imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





