Saúde

Estudo revela que a maioria de estudantes de medicina no Brasil apresenta sintomas de depressão

Em apuração ?

Mais de 66% dos alunos da graduação relatam dificuldades emocionais relacionadas à rotina acadêmica

Estudantes de medicina em sala de aula, com expressões de preocupação
Imagem: UOL Notícias

Pesquisa realizada pelo CISM aponta que dois em cada três estudantes de medicina têm sintomas de depressão moderada ou grave, destaque para o impacto da rotina na saúde mental dos estudantes.

Um levantamento recente conduzido pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) revelou que 66% dos estudantes de medicina no Brasil apresentam sintomas de depressão moderada a grave. A pesquisa, que ouviu 1.026 estudantes de 74 instituições de ensino públicas e privadas, destaca uma preocupante escalada na saúde mental dos futuros profissionais da área da saúde, emblematicamente afetados pelo ritmo intenso e as pressões do curso.

Segundo dados divulgados pelo estudo, metade dos estudantes também apresentou sintomas de ansiedade, configurando um quadro delicado de sofrimento que ultrapassa as estatísticas globais, onde 27,2% dos estudantes de medicina no mundo relatam depressão e 33,8% ansiedade, conforme a mesma pesquisa. Entre as causas apontadas pelos participantes, a prioridade é a falta de tempo, que foi citada como o principal fator de estresse, seguida por questões relacionadas ao desempenho acadêmico, relacionamentos, preocupações com a saúde e dificuldades na aprendizagem.

Entre os relatos coletados, a estudante de 22 anos Natália Barros, que cursa o terceiro ano na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e veio de João Pessoa (PB) para morar em São Paulo, comentou os efeitos desse cenário em sua rotina: "Cansaço, dificuldade de concentração, alterações no sono e perda de apetite, sintomas depressivos que associa à rotina puxada da graduação." Ela ainda explicou que, devido à rotina intensa, teve que abandonar atividades físicas e hobbies, ficando com apenas uma aula de balé por semana, e afirmou que a última vez que sentiu que tinha tempo livre foi nas férias.

O psiquiatra Rodolfo Furlan Damiano, um dos responsáveis pelo estudo, destacou a normalização do sofrimento entre os estudantes como um problema. Ele afirmou que "infelizmente, isso faz parte do que a gente chama de currículo oculto, que é uma questão tacitamente passada de que sofrer faz parte, de que a falta de tempo faz parte. É passado de geração em geração." Os pesquisadores ainda destacam que a coleta ocorreu entre setembro de 2023 e setembro de 2024 e que os sintomas depressivos foram avaliados usando o questionário PHQ-9, que mede a intensidade dos sintomas nas últimas duas semanas, variando de mínimos a graves.

Apesar de os dados ainda não serem oficialmente confirmados por outras fontes, eles reforçam uma preocupação constante no meio acadêmico e de saúde pública quanto ao bem-estar dos estudantes de medicina, que frequentemente enfrentam uma rotina exaustiva sem o devido acompanhamento psicológico ou suporte institucional para lidar com o desgaste emocional.

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O que sabemos?

  • 66% dos estudantes de medicina apresentam sintomas de depressão moderada ou grave
  • 50,5% dos estudantes também manifestaram sintomas de ansiedade
  • Falta de tempo é o principal fator de estresse citado pelos estudantes
  • Estudo foi conduzido pelo CISM com 1.026 participantes de 74 instituições
  • Coleta ocorreu entre setembro de 2023 e setembro de 2024

Fontes

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