Estudo revela como a poluição do ar afeta o desempenho de corredores de maratona
Níveis elevados de poluentes como NO2 podem atrasar o tempo de conclusão de provas jogando luz sobre os riscos à saúde de atletas amadores e profissionais.
Pesquisadores analisaram milhares de tempos de maratonas entre 2010 e 2024 e descobriram que aumento na poluição aeróbica prejudica corredores, especialmente os recreativos.
Um estudo recente divulgado na revista científica Sports Medicine trouxe dados inéditos sobre o impacto da poluição do ar na performance de corredores de maratona. Segundo a pesquisa, realizados por cientistas da Universidade de Leicester, no Reino Unido, cada aumento de 1 micrograma por metro cúbico (µg/m³) de dióxido de nitrogênio (NO2) na atmosfera resulta em um atraso de aproximadamente 1,5 minuto no tempo de chegada de corredores na prova de 42 quilômetros. Os dados abarcaram um total de 2.75 milhões de tempos de conclusão das seis principais maratonas do mundo — Londres, Nova York, Boston, Berlim, Tóquio e Chicago — entre 2010 e 2024. Ainda não há confirmação oficial de que essas conclusões possam variar em diferentes condições ambientais ou regiões, mas os resultados levantam importantes questionamentos sobre os riscos de praticar exercícios ao ar livre em áreas com alta poluição.
Segundo os pesquisadores, a maior vulnerabilidade parece estar com corredores recreativos, que permanecem mais tempo em prova devido à menor velocidade. Enquanto atletas de elite completam a maratona em tempos de aproximadamente duas horas, os corredores amadores, por sua vez, levam o dobro ou mais de tempo. Como consequência, eles acumulam maior dose de partículas nocivas, tanto as maiores quanto as fininhas, expostos por um período mais prolongado às atmosferas poluídas. Além disso, o estudo explica que gases como o NO2, principal responsável pelo efeito negativo, derivam principalmente do tráfego de veículos e processos de combustão, enquanto partículas finas podem vir da indústria, do transporte e de aquecimento residencial — fatores presentes em muitas das grandes metrópoles ao redor do mundo.
O especialista em saúde ambiental da Universidade de Leicester, James Donaldson, reforça a preocupação ao afirmar que “ambos os poluentes têm sido associados a efeitos adversos à saúde, especialmente no coração e nos pulmões”, alertando que os jovens na faixa etária de 18 a 29 anos podem ser os mais vulneráveis a esses impactos. O estudo também chama atenção para a diferença na resposta dos corredores de elite — capazes de resistir às condições devido às adaptações fisiológicas advindas de treinamentos constantes de alta intensidade — em comparação com os amadores, que geralmente possuem menor preparação e permanecem mais expostos às partículas nocivas durante o percurso.
Desde 2010, quando começou a análise, os pesquisadores observaram uma redução significativa nos níveis de NO2 e partículas finas (PM2,5) nas principais maratonas do mundo, uma notícia considerada favorável para os corredores e para o coração, órgão mais beneficiado por atividades físicas regulares. Ainda não há uma posição oficial de organizações de atletismo ou órgãos de saúde sobre o tema, mas o alerta reforça a importância de políticas públicas voltadas à melhora da qualidade do ar, sobretudo em cidades que sediam eventos esportivos de grande porte. Os resultados, ainda não confirmados oficialmente, indicam que o cuidado na preparação e na escolha do local pode ser tão fundamental quanto o treinamento físico em si, principalmente para os praticantes de corrida amadores, que representam a maioria da população que busca os benefícios do esporte.
O que sabemos?
- Aumento de 1 µg/m³ de NO2 está associado a atrasos de aproximadamente 1,5 minuto no resultado de maratonas.
- O estudo analisou 2.75 milhões de tempos de seis grandes maratonas feitas entre 2010 e 2024.
- Corredores recreativos são cerca de seis vezes mais afetados pelos poluentes do que os corredores de elite.
- Há uma redução nos níveis de NO2 e partículas finas no ar desde 2010, o que é positivo para a saúde.
- Efeitos adversos dos poluentes incluem impactos no coração e nos pulmões.
Fontes
- Revista Galileu fonte especializada





