Estudo revela alta taxa de gestação não planejada entre jovens de 12 a 20 anos na Unicamp
Mais de 80% das adolescentes atendidas no Ambulatório de Pré-Natal para Adolescentes não planejavam a gravidez, aponta pesquisa
Uma pesquisa da Unicamp com jovens entre 12 e 20 anos mostrou que a maioria das gestantes atendidas não tinham planejado a maternidade. Os resultados reforçam a necessidade de ampliar educação sexual e acesso a contraceptivos.
Um estudo conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que 84% das adolescentes e jovens de 12 a 20 anos atendidas no Ambulatório de Pré-Natal para Adolescentes do Hospital da Mulher (Caism) não planejaram a gestação. Os dados, ainda não confirmados oficialmente por outras fontes, foram publicados na revista científica The European Journal of Contraception & Reproductive Health Care. Segundo a pesquisa, apenas 16% das 101 participantes admitiram que a gravidez foi planejada, uma proporção considerada extremamente baixa, indicando um cenário preocupante na faixa etária.
A pesquisa, realizada entre junho de 2017 e julho de 2024, utilizou um questionário de autopreenchimento com 28 perguntas abordando fatores como idade, escolaridade, raça, convivência com o parceiro e experiências sexuais. As jovens, em sua maioria autodeclaradas pardas, estudantes com de 10 a 12 anos de estudo, tiveram uma idade mediana de 17 anos. A investigação revelou que a idade média para a primeira relação sexual foi de 14 anos, enquanto que a primeira gravidez ocorreu aos 16 anos, o que reforça o caráter precoce de muitas gestantes nesse grupo.
Segundo os autores do estudo, a gravidez não planejada entre adolescentes está relacionada a fatores sociais, educacionais e reprodutivos, além de obstáculos no acesso a métodos contraceptivos de longa duração na rede pública de saúde. Entre as jovens entrevistadas, morar com o parceiro e engravidar mais tarde foram associados a uma menor frequência de gestação não planejada. No entanto, o sociólogo responsável pela pesquisa afirma que esses fatores não significam que morar com um parceiro seja um indicativo de gravidez planejada; ele explica que isso está condicionado a um contexto de oportunidades limitadas na educação e no desenvolvimento profissional, que levam muitas adolescentes a perceberem a maternidade precoce como uma forma de obter status ou independência, embora tal escolha esconda uma grave desigualdade social.
Um aspecto importante apontado pelo estudo é que, apesar de muitas jovens conhecerem métodos contraceptivos, há uma carência de orientação prática e dificuldades no acesso aos dispositivos de longa duração pelo sistema público de saúde. Apenas 33 participantes citaram espontaneamente algum método contraceptivo antes de receber uma lista de opções, o que evidencia uma baixa iniciativa ou informação insuficiente sobre prevenção de gravidez na adolescência. A necessidade de ampliar o acesso à educação sexual de qualidade e oferecer meios reais para que os jovens possam planejar suas vidas é defendida pelos pesquisadores, que alertam para os impactos financeiros e educacionais da gravidez precoce, tanto para as próprias adolescentes quanto para a sociedade.
Com esse cenário, especialistas reforçam que a sociedade deve garantir que meninos e meninas tenham acesso a uma educação sexual eficaz e a oportunidades que os possibilitem construir projetos de vida além da maternidade ou paternidade precoce, promovendo autonomia e escolhas mais conscientes. Os resultados do estudo demonstram que o enfrentamento da questão exige ações de políticas públicas que reduzam desigualdades e favoreçam o desenvolvimento social e profissional das jovens.
O que sabemos?
- 84% das jovens atendidas no Caism não planejaram a gestação.
- Apenas 16% das participantes disseram ter planejado a gravidez.
- Foram acompanhadas 101 jovens entre junho de 2017 e julho de 2024.
- Idade mediana das participantes é de 17 anos, com primeira relação sexual aos 14 e primeira gravidez aos 16.
Fontes
- G1 imprensa





