Biofábrica de mosquitos com bactéria para bloquear dengue inicia operações em Ribeirão Preto
Unidade produzirá mais de 3 milhões de insetos por semana para cidades do interior paulista
Em Ribeirão Preto (SP), começa a operar uma biofábrica que cria mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, impedindo a transmissão do vírus da dengue. A produção semanal de mais de três milhões de insetos atenderá também São Carlos, Araraquara e São José do Rio Preto.
Uma tecnologia inovadora para o combate à dengue ganha espaço em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, com o início da operação de uma biofábrica que produz mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia. Segundo o Ministério da Saúde, em parceria com a Fiocruz, a Prefeitura de Ribeirão Preto e a Wolbito do Brasil, a unidade está instalada na Vila Tibério, Zona Oeste da cidade, e começa a produzir em setembro, com solturas programadas para outubro.
Esta bactéria natural impede que o vírus da dengue, que se multiplica dentro do mosquito transmissor, se reproduza no organismo. Ou seja, quando o mosquito infectado com Wolbachia pica uma pessoa contaminada, ele não fica capaz de transmitir a doença. Gabriel Sylvestre Ribeiro, gerente da Wolbito, esclarece que "a gente não está fazendo um mosquito transgênico ou mosquito diferente. É o mesmo mosquito. Só que agora, se ele picar uma pessoa que tem um desses vírus no seu sangue, ele não se infecta, portanto, não passa essa doença para outra pessoa".
A produção da biofábrica será intensa: mais de 3 milhões de insetos serão gerados semanalmente. Além de abastecer a própria Ribeirão Preto, essa leva de mosquitos infectados com Wolbachia será distribuída para outras cidades do interior paulista, como São Carlos, Araraquara e São José do Rio Preto. A iniciativa faz parte de uma política pública de saúde que busca reduzir a incidência da dengue por meio da aplicação dessa tecnologia biológica.
Importante destacar que esses mosquitos não passam por qualquer modificação genética, um ponto que tem gerado preocupação em outras abordagens similares. A bactéria Wolbachia é uma presença natural em muitos insetos e seu uso em Aedes aegypti é uma estratégia viável e segura para limitar a transmissão da dengue.
Apesar do avanço trazido pela biofábrica, pesquisadores responsáveis pela iniciativa alertam que a população deve continuar adotando as medidas tradicionais de prevenção contra a dengue, como eliminar possíveis criadouros, evitar acúmulos de água parada e manter o ambiente limpo. O método Wolbachia é uma ferramenta complementar — e não substitutiva — àqueles cuidados já conhecidos.
O que sabemos?
- Biofábrica em Ribeirão Preto começa a operar em setembro com soltura de mosquitos em outubro
- Mosquitos Aedes aegypti são infectados com a bactéria Wolbachia que bloqueia o vírus da dengue
- Produção semanal ultrapassa 3 milhões de insetos para várias cidades do interior paulista
- Insetos não são transgênicos, apenas infectados com bactéria natural
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas por G1; aguardando outras fontes.
Fontes
- G1 imprensa


