Saúde

Como a alimentação influencia diretamente a qualidade do sono

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Entenda a relação entre hábitos alimentares e descanso segundo especialistas

Pessoa comendo uma refeição leve durante a noite
Imagem: Folha de S.Paulo

A neurofisiologista Letícia Azevedo Soster explica que alimentação e sono têm uma relação bidirecional e que mudanças na dieta podem melhorar o descanso noturno.

O que você come pode estar interferindo na qualidade do seu sono mais do que imagina. Segundo a neurofisiologista Letícia Azevedo Soster, do Einstein Hospital Israelita, a alimentação e o sono atuam em um ciclo interdependente: uma má qualidade na alimentação pode resultar em sono fragmentado, e um sono ruim leva à busca por alimentos mais calóricos e de rápida absorção para suportar o dia seguinte, consolidando um ciclo negativo.

De acordo com Soster, essa conexão exige mais do que a tradicional "higiene do sono", que inclui práticas como evitar telas antes de dormir. Ela recomenda uma abordagem mais ampla, chamada de higiene circadiana, que envolve ajustar hábitos diários para sincronizar os ritmos biológicos do corpo. "Ter uma boa rotina de sono depende de tudo que a pessoa faz durante o dia e que permite ao corpo, ao deitar-se, adormecer e manter a continuidade desse sono", enfatiza a médica.

Um dos pontos-chave é manter horários regulares para as refeições e optar por pratos equilibrados e balanceados. Segundo a especialista, é ideal jantar cedo, garantindo ao menos duas horas de jejum antes de ir para a cama. Isso porque refeições pesadas, especialmente as que contêm carnes vermelhas e preparações muito gordurosas, têm digestão lenta e demandam esforço extra do organismo num período em que o corpo deveria estar descansando.

Além disso, Soster alerta para o consumo de bebidas estimulantes — como café, refrigerantes com cafeína e energéticos —, até mesmo no período da tarde. "Por serem estimulantes, elas dificultam que o corpo reconheça os sinais de cansaço e atrapalham muito o início do sono, um dos principais parâmetros utilizados para avaliar a insônia", explica a neurofisiologista. O álcool também merece cautela, pois pode interferir negativamente no ciclo do sono, apesar de ser usado por algumas pessoas na tentativa de induzir o descanso.

Em suma, o equilíbrio entre alimentação e sono deve ser encarado como uma via de mão dupla: melhorar a alimentação contribui para dormirmos melhor e dormir bem ajuda a manter escolhas alimentares mais saudáveis, evitando o consumo excessivo de calorias ou carboidratos simples para compensar a fadiga diurna. A partir dessas práticas, é possível alinhar os ritmos biológicos e garantir um sono mais reparador, melhorando a saúde e o bem-estar geral.

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O que sabemos?

  • A alimentação e o sono têm relação bidirecional, cada um influencia o outro.
  • Jantar cedo, com uma janela de jejum de pelo menos duas horas antes de dormir, é recomendado.
  • Carnes vermelhas e comidas gordurosas devem ser evitadas à noite por dificultarem o sono.
  • Bebidas estimulantes e álcool podem atrapalhar o início e a continuidade do sono.

Fontes

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