Saúde

Conexão com a natureza melhora saúde mental e comportamental, mas pesquisas ainda estão em andamento

Em apuração ?

Estudos apontam benefícios do contato com ambientes naturais, embora algumas hipóteses ainda aguardem confirmações científicas

Imagem de uma pessoa caminhando por um parque com árvores ao redor
Imagem: Folha de S.Paulo

Adotar momentos na natureza traz diversos efeitos positivos à saúde mental e física, incluindo redução de ansiedade, melhora na recuperação hospitalar e diminuição de comportamentos violentos, mas pesquisas continuam investigando as causas e a origem desses benefícios.

Conectar-se com ambientes naturais parece oferecer uma série de benefícios à saúde física e mental, uma relação que vem sendo explorada por estudos há décadas e que agora ganha maior atenção na comunidade científica. Segundo informações de uma reportagem da Folha de São Paulo, pesquisas indicam que ficar em contato com a natureza pode ajudar a reduzir a ansiedade, a depressão e até mesmo a pressão arterial. Muitas pessoas relatam sentir-se mais calmas e equilibradas após um passeio ao ar livre.

Um estudo clássico da década de 1980 trouxe um exemplo impactante: pacientes submetidos a cirurgias de vesícula que tinham vista para árvores ao invés de uma parede de tijolos tiveram uma recuperação, em média, quase um dia mais rápida. Além disso, esses pacientes também apresentou menor necessidade de analgésicos e receberam menos observações negativas por parte da equipe médica, como relatos de que estavam abalados ou necessitavam de incentivo extra. Ainda não há confirmação oficial de que esses efeitos sejam universais, mas o dado levanta hipóteses sobre a relação entre contato com a natureza e o bem-estar.

Para além do ambiente hospitalar, centros de apoio a pacientes com câncer, como o Maggie’s, também utilizam jardins e janelas do chão ao teto para promover tranquilidade e conexão com a natureza. Segundo Robin Muir, psicólogo clínico à frente de uma dessas unidades em Manchester, na Inglaterra, o efeito é particularmente importante em cidades onde a presença de áreas verdes é limitada. Ele explica que, para quem está passando por tratamento contra o câncer, “o que aquele jardim e a natureza proporcionam é algo realmente terapêutico”.

Mais recentemente, pesquisas também indicam que a natureza pode influenciar o comportamento de populações carcerárias. Um estudo nos Estados Unidos revelou que detentos que assistiam a vídeos de ambientes naturais três a quatro vezes por semana cometeram 26% menos infrações violentas, o que equivale a 13 incidentes a menos ao longo de um ano. Apesar de promissoras, essas descobertas ainda precisam de mais confirmações e estudos aprofundados.

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Uma hipótese conhecida como da biofilia, defendida pelo biólogo Edward O. Wilson na década de 1980, sugere que o impulso de estar próximo à natureza é inato ao ser humano, resultado da evolução em ambientes selvagens. Ainda que estudos com gêmeos indiquem um componente genético para esse desejo, nenhuma molécula ou gene específico foi identificado até o momento. Segundo especialistas, é provável que a sensação de bem-estar derivada do contato com o meio natural seja causada por fatores fisiológicos e cognitivos, ainda sob investigação.

Apesar de todas as evidências, a própria comunidade científica destaca que muitas dessas hipóteses ainda não estão conclusivamente comprovadas e que novas pesquisas são necessárias para entender exatamente por que a natureza traz tantos benefícios ao ser humano. Portanto, enquanto os estudos continuam, o que se sabe é que sair ao ar livre e estar em contato com ambientes naturais é uma prática que, pelo menos, faz bem à alma, e esse é um conselho que muitas pessoas já incorporaram na rotina.

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O que sabemos?

  • Contato com natureza pode reduzir ansiedade e depressão.
  • Estudo mostrou recuperação mais rápida de pacientes com vista para árvores.
  • Jardins e ambientes naturais promovem tranquilidade em centros de saúde.
  • Detentos que assistiam vídeos de natureza tiveram 26% menos infrações violentas.
  • Hipótese da biofilia sugere impulso inato de conexão com a natureza, ainda não confirmada completamente.

Fontes

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