Novos repasses milionários para financiamento do filme "Dark Horse" ampliam polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria enviado R$ 8,5 milhões a mais para o fundo que administra recursos do longa sobre Jair Bolsonaro
Senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro evita detalhar valores do financiamento do filme 'Dark Horse' e cobra esclarecimentos da produtora Go Up Entertainment. Documentos do Coaf revelam repasses adicionais feitos por ex-dono do Banco Master, agravando a controvérsia.
O financiamento do filme "Dark Horse", inspirado na trajetória do presidente Jair Bolsonaro (PL), voltou a ganhar exposição na mídia nesta terça-feira (1º) após divulgação de um repasse extra de US$ 1,6 milhão — o equivalente a R$ 8,5 milhões na cotação da época — pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao fundo que administra os recursos da produção. Segundo reportagem da revista Piauí, documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que essa nova transferência foi efetuada em 16 de setembro de 2025, quando já existiam suspeitas envolvendo o Banco Master, então presidido por Vorcaro.
Até então, Vorcaro havia repassado US$ 10,6 milhões (R$ 54,9 milhões em valores atuais) para o fundo Havengate Development Fund, responsável pelo financiamento do longa-metragem. Com esse pagamento adicional, o total chegaria a US$ 12,3 milhões (aproximadamente R$ 63,7 milhões). A publicação também aponta indícios da possibilidade de um pagamento ainda maior, com base em conversas entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, embora esses dados não tenham sido confirmados oficialmente.
O caso vem sendo acompanhado de perto diante do impacto negativo sobre a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e candidato à Presidência da República. Áudios divulgados anteriormente mostraram o político solicitando R$ 61 milhões ao então dono do Banco Master para concluir o filme – uma cifra próxima do total revelado pelas reportagens.
Na manhã desta terça-feira, Flávio Bolsonaro respondeu às perguntas a respeito dos repasses, afirmando que “tem que perguntar para a produtora” Go Up Entertainment, empresa responsável pelo filme, ao ser questionado sobre os valores adicionais. O senador afirmou que a prestação de contas estaria feita, mas reconheceu não ter condições técnicas para explicar a divisão ou os detalhes financeiros. “Eu não trato disso, gente. [...] Nesse assunto eu não tenho como aprofundar”, declarou, pedindo respeito diante da insistência dos jornalistas para encerrar o tema.
Em entrevista concedida à Globo na sexta-feira (28), Flávio oscilou entre declarar que "nunca é demais" esclarecer a relação com o ex-banqueiro e afirmar que o assunto está "mais que esclarecido" e que é um "livro que está fechado, ressignificado e na prateleira". O senador voltou a insistir que a produtora é a detentora dos dados técnicos e, portanto, quem deve prestar contas detalhadas sobre o financiamento da produção.
O repasse adicional ocorreu menos de duas semanas após o Banco Central negar a venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), em um momento em que já circulavam suspeitas sobre o banco. Esses elementos adicionam complexidade ao caso e intensificam a repercussão política que envolve a campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro. Até o momento, a produtora Go Up Entertainment não se pronunciou oficialmente para esclarecer os questionamentos sobre os valores repassados para o filme.
O que sabemos?
- Ex-banqueiro Daniel Vorcaro repassou US$ 1,6 milhão (R$ 8,5 milhões) a mais para fundo do filme "Dark Horse".
- Com o novo pagamento, total chega a US$ 12,3 milhões (R$ 63,7 milhões).
- Flávio Bolsonaro afirma que a prestação de contas já foi feita e atribui à produtora esclarecimentos sobre valores.
- Repasse adicional ocorreu em 16 de setembro de 2025, já com suspeitas envolvendo o Banco Master.
Fontes
- CNN Brasil imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa





