Política

Piketty critica o perigoso caminho do nacionalismo no Brasil e o impacto global

Em apuração ?

Economista francês alerta sobre os riscos do nacionalismo parecido com o de Trump na política brasileira e suas consequências internacionais

Economista Thomas Piketty durante entrevista que discute o papel do Brasil no cenário global
Imagem: BBC News Brasil

Thomas Piketty, economista francês conhecido por seu trabalho sobre desigualdade, afirma que seguir uma linha nacionalista no Brasil, semelhante à de Donald Trump, pode ser prejudicial não só ao país, mas ao mundo. Ele enfatiza a importância de uma postura mais globalista e inclusiva.

Segundo o economista francês Thomas Piketty, conhecido por suas análises sobre desigualdade social, o Brasil corre o risco de seguir uma trajetória de nacionalismo extremado, semelhante ao que foi representado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista à BBC News Brasil, Piketty declarou que essa postura seria prejudicial não apenas ao próprio Brasil, mas ao cenário internacional. "Será muito triste para o próprio país tanto quanto para o mundo se o Brasil seguir na direção desse nacionalismo trumpista em algumas semanas [nas eleições]," afirmou. Ele destacou que o momento atual é marcado por um cenário de várias "distopias," como defende, devido às visões extremadas de tecnobilionários e tecnonacionalistas, que elaboram ideias de futuro que, na opinião dele, não resolvem problemas de desenvolvimento ou ambientais.

O economista também comentou sobre as propostas globais de seu recente relatório de justiça social, elaborado com uma equipe de cerca de 50 pesquisadores, que sugere medidas como criar uma moeda internacional gerida pela ONU, com objetivos de nivelar a renda per capita mundial em torno de 5 mil euros até 2100, e reduzir na metade as horas de trabalho globais, deslocando funções de produção de alimentos para setores de saúde e educação. Essas ideias, segundo ele, representam uma tentativa de promover maior equidade no mundo, algo que, na visão do especialista, contrasta fortemente com o aumento do nacionalismo e do protecionismo.

Outro ponto destacado por Piketty é a importância do Brasil na diplomacia mundial, especialmente na recente inclusão, durante a reunião do G20 no Rio de Janeiro em 2024, de uma menção inédita à tributação dos super-ricos no documento final da cúpula. Ainda que a proposta tenha enfrentado resistência de países como a Argentina, o Brasil manteve seu posicionamento, defendendo a necessidade de tributar os bilionários e avançar em negociações multilaterais no âmbito da ONU. O especialista afirmou que o país deve contribuir para um sistema monetário internacional mais equilibrado, democrático e sustentável, ao invés de seguir políticas de isolamento ou nacionalismo exacerbado.

Questionado sobre a atual conjuntura política brasileira, Piketty alertou que, caso o país siga adotando uma postura mais ameaçadora ao sistema global, poderá prejudicar também sua própria trajetória de progresso social e econômico. "Precisamos do Brasil contribuindo para reconstruir o sistema monetário, econômico internacional em um sentido mais inclusivo, igualitário, democrático e consciente sobre o clima," reforçou, ressaltando a importância de uma postura mais colaborativa internacionalmente.

Publicidade

O que sabemos?

  • Thomas Piketty acredita que o Brasil pode seguir um caminho de nacionalismo semelhante ao de Trump, o que seria prejudicial.
  • O economista defende maior cooperação internacional e propostas de justiça global, como uma moeda única gerida pela ONU e impostos sobre fortunas.
  • Durante a reunião do G20 no Rio de Janeiro em 2024, o Brasil conseguiu incluir uma menção à tributação dos ricos no documento final, apesar de resistências.
  • Piketty alerta que o nacionalismo extremo no Brasil pode afetar não só o país, mas o cenário global.
  • Ele reforça a necessidade de o Brasil contribuir para um sistema econômico internacional mais justo e equilibrado.

Fontes

Publicidade