Analistas apontam desafios políticos e estratégicos após o primeiro turno das eleições
Cenários e possíveis impactos na pauta legislativa até 2027
Segundo especialista, a permanência de Davi Alcolumbre na presidência do Senado depende do resultado do segundo turno, e a tramitação de propostas importantes como a PEC do fim da 6x1 enfrenta obstáculos.
O cenário político brasileiro após o primeiro turno das eleições apresenta uma série de incógnitas sobre o que esperar para os próximos anos, especialmente em relação à agenda legislativa e às disputas pelo comando do Congresso. Segundo o cientista político Rafael Cortez, em entrevista ao Hora H nesta segunda-feira (5), diversos fatores influenciam na continuidade ou mudança dessas pautas, com destaque para a questão da PEC que propõe o fim da escala 6x1, uma reivindicação antiga no Senado.
Cortez explica que a permanência de Davi Alcolumbre na presidência do Senado está diretamente ligada ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais. De acordo com ele, Alcolumbre só conseguiria se manter na presidência se o presidente Lula reverter seu desempenho no primeiro turno. Para o analista, há poucas chances de acordo majoritário com Flávio Bolsonaro, que atualmente lidera as pesquisas pelo Senado. A sinalização das lideranças do Partido Liberal, maior bancada do Congresso em 2027, também indica que a disputa pelo comando da Casa deve ser acirrada na próxima legislatura.
Outra questão que circunda o cenário é a dificuldade de aprovar a emenda constitucional que acaba com a escala 6x1, um tema que ainda não obteve consenso no Congresso. Segundo Cortez, obter o quórum necessário para aprovar essa alteração é uma tarefa complexa, especialmente considerando as incertezas deixadas pelo resultado do primeiro turno e a eventual redução do apoio ao governo. Ainda não há uma previsão concreta de que a PEC avançará, uma vez que o contexto político atual favorece uma maior cautela por parte dos senadores.
Sobre as próximas semanas, o especialista avalia que o debate público não deverá passar por grandes mudanças, com a atenção focada na comunicação do governo, que busca manter sua base de apoio e minimizar perdas eleitorais. Ele aponta que temas como o Supremo Tribunal Federal, soberania e terras raras estiveram distantes do cotidiano do eleitor comum durante o primeiro turno, o que pode limitar a repercussão de novas propostas na fase final da campanha oficial. Ainda assim, há quem considere que o governo pode tentar colocar na pauta o tema da 6x1, buscando ganhar espaço na narrativa eleitoral, embora essa estratégia seja vista como pouco provável por Cortez.
O que sabemos?
- A permanência de Davi Alcolumbre na presidência do Senado depende do resultado do segundo turno presidencial.
- A disputa pelo comando do Senado será influenciada pelo resultado das eleições em relação ao candidato do PL, que lidera as pesquisas.
- A PEC que propõe o fim da escala 6x1 enfrenta obstáculos para ser aprovada, devido à necessidade de quórum qualificado e às incertezas políticas.
- O governo enfrenta dificuldades em melhorar sua popularidade, principalmente devido ao alto endividamento das famílias e à percepção negativa de suas medidas.
- Temas como o STF, soberania e terras raras tiveram pouca repercussão entre o opinião pública durante o primeiro turno.
Fontes
- CNN Brasil imprensa



