Política

Baixa representação de parlamentares negros no Congresso ainda é motivo de preocupação

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Estudo aponta persistente sub-representação racial na Câmara dos Deputados, mesmo após eleições

Imagem ilustrativa de deputados na Câmara dos Deputados
Imagem: Agência Brasil

Apesar de uma leve redução no número de parlamentares pretos e pardos eleitos, especialista destaca que a desigualdade na representação racial no Congresso permanece, refletindo desigualdades históricas e estruturais.

Segundo a pesquisadora Evelyn Apolinária, professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub), a redução no número de parlamentares negros eleitos na Câmara dos Deputados, de 139 para 135, tem um significado que vai além do simples contar de cadeiras. Ainda não confirmado oficialmente, ela alerta para uma questão mais profunda: a sub-representação persistente de negros na política brasileira, que reflete as desigualdades sociais e de acesso a recursos de campanha.

Na eleição realizada neste domingo, 4 de novembro, 135 parlamentares pretos e pardos foram eleitos. Destes, 77 já tinham sido reeleitos, segundo informações da fonte. Evelyn apontou que, embora a representatividade de negros na Câmara seja de pouco mais de 25%, esses grupos representam cerca de metade das candidaturas e da população do país. A diferença entre candidatos, população e deputados evidencia uma disparidade que ainda precisa ser enfrentada. Segundo ela, recursos de campanha, financiamento e estruturas partidárias continuam sendo fatores que dificultam uma maior inclusão racial na política.

A análise demonstra que as regras de incentivo ao financiamento, como a distribuição proporcional dos fundos, não foram suficientes para diminuir essa lacuna. A federação de partidos União Brasil e Progressistas destacou-se como a formação partidária que mais elegeram parlamentares negros, somando 32 cadeiras, ou 23,7% do total. Porém, Evelyn reforça que, apesar da presença de parlamentares negros, isso não garante uma atuação unificada na defesa de pautas antirracistas no Congresso. Ela explica que a orientação ideológica dos parlamentares, que pode variar bastante, não permite afirmar que essa representação racial automaticamente traduzirá em ações contra o racismo.

Ela também alerta que o Congresso, de tendência mais à direita, tende a diminuir a prioridade dada a políticas afirmativas e ao combate ao racismo, uma hipótese que ainda não foi oficialmente confirmada, esperando por análises mais aprofundadas. Ainda segundo Evelyn, a bancada negra e a presença de líderes que possam defender esses temas no colégio de líderes são fatores que podem influenciar na manutenção ou no risco de redução das pautas relacionadas à igualdade racial. Apesar do cenário desafiador, a especialista destaca que não há uma garantia de que esses temas serão totalmente abandonados, apenas que podem receber menor prioridade em um contexto de maior conflito político.

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O que sabemos?

  • Número de parlamentares negros na Câmara caiu de 139 para 135.
  • 135 parlamentares de origem negra foram eleitos; 77 reeleitos.
  • Negros representam mais da metade das candidaturas, mas pouco mais de 25% das cadeiras na Câmara.
  • Federação de partidos União Brasil e Progressistas elegeu 32 parlamentares negros, cerca de 23,7% do total.

Fontes

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