Política

Parlamento de Portugal aprova mudanças no mercado de aluguel que aceleram despejos

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Reforma busca incentivar proprietários a colocar mais imóveis no mercado, mas gera críticas de associações de inquilinos

Parlamento de Portugal durante votação no plenário
Imagem: CNN Brasil

A primeira votação no Parlamento português aprovou uma reforma que permite despejos mais rápidos e eliminação de limites nos aluguéis de novos contratos, causando repercussões entre diferentes setores.

Na quarta-feira, 30 de setembro, o Parlamento de Portugal deu um passo importante ao aprovar, em primeira votação, uma polêmica reforma do mercado de aluguéis que pretende acelerar os processos de despejo e eliminar restrições nos valores dos aluguéis em novos contratos. Segundo fontes oficiais, a medida tem como objetivo estimular os proprietários a disponibilizar mais imóveis no mercado de locação, uma resposta ao cenário agravado pela crise imobiliária que atravessa o país.

Dados da própria administração pública indicam que Portugal enfrenta uma das piores crises imobiliárias da Europa, com os aluguéis de novos contratos praticamente dobrando desde 2017, tornando-se cada vez mais inacessíveis a muitas famílias. Em meio a esse contexto, o governo afirma que a reforma deve incentivar a oferta de imóveis ao aliviar a incerteza jurídica, já que mais de 250 mil imóveis permanecem vazios por receio de restrições ou processos longos na justiça. Ainda assim, grupos de defesa dos direitos dos inquilinos criticaram duramente as mudanças, alegando que a medida pode aprofundar a crise atual, tornando o acesso à moradia ainda mais difícil.

Durante o debate, o partido Chega, um dos mais comentados na política portuguesa, surpreendeu ao não votar contra a reforma, optando por uma abstenção após ter manifestado objeções ao projeto. Os demais partidos de esquerda se posicionaram contrários, argumentando que o relaxamento nas regras pode prejudicar os inquilinos vulneráveis. Enquanto isso, o governo do centro-direita mantém seu projeto, esperando que a maior liberdade para os proprietários estimule um aumento na oferta de casas disponíveis para aluguel.

Na comparação internacional, a notícia ganha destaque diante do que vem sendo feito em outros países. Recentemente, na Espanha, o governo de esquerda proibiu despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, além de implementar outras medidas para conter o aumento dos aluguéis e os processos de despejo, enfrentando protestos e reivindicações populares. No cenário português, a controvérsia envolve justamente a tentativa de abrir o mercado, contrastando com essas ações restritivas de países vizinhos.

Por ora, ainda não há confirmação oficial sobre as próximas etapas do processo legislativo – como a votação em segunda fase ou possíveis alterações no texto. A reforma, que ainda precisa passar por novos trâmites parlamentares e ser aprovada definitivamente, tem gerado debates acalorados e uma forte polarização de opiniões na sociedade portuguesa, evidenciando as complexidades de equilibrar interesses econômicos e sociais no setor de habitação.

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O que sabemos?

  • Parlamento de Portugal aprovou primeira votação de reforma no mercado de aluguéis.
  • Medida visa acelerar despejos e eliminar limites de preço nos novos contratos.
  • Crise imobiliária no país faz com que aluguéis dobrem desde 2017.
  • Grupo de inquilinos critica a reforma, alegando que ela pode aprofundar a crise.
  • Partido Chega se absteve, enquanto partidos de esquerda votaram contra.

Fontes

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