Política

Especialistas alertam para o desafio da abstenção nas eleições de 2026

Em apuração ?

Estudos indicam impacto na precisão das pesquisas eleitorais diante do comportamento do eleitorado

Ilustração de urna eletrônica e gráficos sobre votação
Imagem: CNN Brasil

Segundo o CEO da Nexus, a alta taxa de abstenção, especialmente entre certos grupos, pode alterar os resultados previstos nas pesquisas eleitorais de 2026.

Poucos dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, o setor de pesquisas começa a enfrentar um desafio que pode afetar a precisão de seus levantamentos futuros. Segundo Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, durante participação no programa O Grande Debate Eleições 2026, a alta taxa de abstenção é o principal obstáculo para uma leitura fiel do eleitorado brasileiro. Tokarski afirmou que, apesar de a Nexus realizar pesquisas tanto por telefone quanto presencialmente, nenhum método é perfeito. "Você vai ter impedimentos nas duas metodologias", comentou. Ele explicou que, na prática, as pesquisas presenciais frequentemente têm dificuldade de alcançar comunidades mais isoladas ou condomínios de luxo, enquanto as telefônicas enfrentam a resistência de eleitores que simplesmente não atendem às chamadas. Para o executivo, a preferência da Nexus é pelas pesquisas por telefone, justamente por acreditarem que esse formato tende a captar um eleitor mais decidido, já que desistir de uma ligação telefônica é mais fácil do que recusar uma abordagem presencial. Ainda assim, ele destacou que as pesquisas presenciais podem inflar o número de indecisos, pois muitas pessoas respondem sem uma opinião formada. O impacto da abstenção na previsão de votos é outro ponto central. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, a abstenção na última eleição foi de 20,9%, com perfis dominantes entre eleitores de baixa renda, baixa escolaridade, homens (com uma taxa de abstinência dois pontos percentuais maior que das mulheres) e eleitores com 60 anos ou mais. Ainda segundo a fonte, esse grupo de eleitores com 70 anos ou mais apresentou uma taxa de abstenção de 59% em 2022, um fenômeno que não é novo e que pode prejudicar a precisão das projeções de preferência, especialmente para o candidato que lidera as pesquisas. Tokarski ressaltou que, em algumas situações, as estimativas feitas pelos institutos superestimaram ou subestimaram os resultados finais. No caso de 2022, ele afirmou que as pesquisas superestimaram o desempenho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na urna apareceu com uma votação menor do que a prevista. Para ele, as estimativas do ex-presidente Jair Bolsonaro não foram subestimadas, mas, na verdade, Lula foi superestimado. Por isso, o maior desafio para os institutos é conseguir ajustar suas projeções levando em conta o impacto da abstenção, que pode variar se o padrão de comportamento dos eleitores mudar nesta eleição. Ainda sem confirmação oficial, a análise aponta que a taxa de abstenção deve seguir sendo uma variável crucial na previsão do resultado. A fonte alerta que, dependendo do comportamento do eleitor, o resultado final pode diferir bastante das pesquisas atuais, tornando a expectativa de um retrato exato do voto mais incerta do que nunca.

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O que sabemos?

  • A abstenção na última eleição foi de 20,9%.
  • Ela afeta principalmente eleitores de baixa renda, baixa escolaridade, homens e com mais de 60 anos.
  • Em 2022, a abstenção de eleitores com 70 anos ou mais foi de 59%.
  • A Nexus realiza pesquisas por telefone e presencialmente, preferindo o telefone por capturar eleitores mais decididos.

Fontes

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