Dia Mundial do Jornalismo destaca ataques e perda de espaço da imprensa pelo mundo
Relatório mostra aumento de regimes autoritários e violência contra jornalistas em um momento de crise democrática
Celebrado na segunda-feira, o Dia Mundial do Jornalismo reforça os desafios enfrentados pela imprensa em um cenário global de autoritarismo crescente e ameaças à liberdade de expressão. Dados recentes apontam uma forte regressão democrática no planeta, com sinais alarmantes de ataques e cerceamento à imprensa.
O Dia Mundial do Jornalismo, comemorado nesta segunda-feira (28), vem ganhando destaque em um contexto global marcado por dificuldades e ameaças à liberdade de expressão. Segundo o relatório Democracy Report 2026, do V-Dem Institute, atualmente 74% da população mundial vive em regimes autocráticos, onde o poder é concentrado e há restrições severas às liberdades civis. Apenas 26% das pessoas vivem em democracias, sendo que somente 7%, ou cerca de 600 milhões, estão em países classificados como democracias liberais. Desde o ano 2000, 85 países já enfrentaram momentos de declínio democrático, evidenciando um retrocesso que, segundo especialistas, não ocorre necessariamente por golpes militares ou tanques nas ruas, mas por fraquezas internas no sistema democrático, como instituições enfraquecidas e normas de convivência política abandonadas.
Durante esse cenário, adjetivado por estudiosos como Steven Levitsky e Daniel Ziblatt em seu livro "Como as Democracias Morrem", adversários políticos e jornalistas deixam de ser vistos como participantes legítimos do processo democrático, passando a ser tachados de inimigos ou ameaças. Essa mudança de postura favorece o uso de instituições que deveriam limitar o poder para eliminar o contraditório, fortalecendo um ambiente de hostilidade e censura. Ainda de acordo com a mesma fonte, o aumento das violações à liberdade de imprensa e ataques violentos contra jornalistas, especialmente mulheres, reforçam esse clima de insegurança para quem trabalha na linha de frente da informação, colocando em risco não apenas indivíduos, mas todo o direito da sociedade de ser bem informada.
Apesar do caráter preocupante, o dia dedicado ao jornalismo também funciona como alerta para a sociedade e instituições de defesa da liberdade de expressão, que precisam atuar para resistir a esse avanço de regimes autoritários. Segundo fontes ouvidas, ainda não há confirmação oficial de ataques específicos neste dia, mas o aumento de violência e repressão contra jornalistas é um fato que tem sido observado continuamente, e a soma dessas ações reforça a necessidade de atenção especial ao papel da imprensa em uma democracia saudável.
Especialistas deixam claro que o mundo enfrenta uma regressão democrática sem precedentes nas últimas décadas, alimentada por governos e grupos que tentam sufocar opiniões divergentes por vias internas do próprio sistema democrático. Assim, a celebração do Dia Mundial do Jornalismo não é apenas uma homenagem à profissão, mas um reforço da importância de garantir condições seguras para que jornalistas possam exercer seu trabalho sem medo de censura, violência ou perseguição, em defesa do que é fundamental para o funcionamento de uma sociedade livre.
O que sabemos?
- 74% da população mundial vive em autocracias
- 26% vivem em democracias
- Apenas 7% (cerca de 600 milhões de pessoas) vivem em democracias liberais
- Desde 2000, 85 países enfrentaram declínio democrático
- A violência contra jornalistas, especialmente mulheres, tem aumentado
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa





