Pesquisa revela preocupação global sobre impacto das redes sociais na democracia
Estudo do Pew Research mostra aumento na percepção de prejuízos causados pelas plataformas digitais
Um levantamento internacional divulgado nesta quinta-feira destaca que uma maioria significativa de adultos acredita que redes sociais podem prejudicar a democracia, além de promover divisão e manipulação.
De acordo com uma pesquisa recente realizada pelo Pew Research Center, há uma crescente preocupação mundial sobre o papel das redes sociais no contexto político e social. Segundo o estudo, uma expressiva maioria dos adultos entrevistados acredita que plataformas como Meta, Snapchat e TikTok podem estar prejudicando a democracia, além de contribuírem para a divisão da sociedade. A pesquisa, que ouviu mais de 45 mil pessoas em 37 países e complementada por um levantamento específico com 5.511 adultos nos Estados Unidos, revelou que enquanto muitas pessoas veem as redes sociais como uma ferramenta de ampliação da voz e de informação, uma parcela considerável começou a percebê-las de modo negativo em relação ao impacto na política e na convivência social.
Entre as diferenças regionais, o estudo aponta que indivíduos de países mais ricos, incluindo Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, tendem a acreditar mais fortemente que as redes sociais afetam negativamente a democracia, em comparação com moradores de nações em desenvolvimento, como Gana, Quênia e Nigéria. Nos Estados Unidos, por exemplo, 64% dos adultos consultados afirmaram que as redes sociais prejudicam a democracia, enquanto o percentual global foi ainda maior, com 82% dos adultos australianos apoiando medidas governamentais de restrição ao acesso de crianças às plataformas.
As megacorporações que operam esses aplicativos enfrentam além de críticas, ações judiciais que envolvem bilhões de dólares, relacionadas a alegações de que as plataformas causam danos aos usuários. Ainda não há uma posição oficial das empresas, mas notícias indicam que elas têm sido alvo de várias ações legais. Além disso, governos ao redor do mundo tentam regulamentar o uso de redes sociais e conviver com os efeitos das plataformas digitais; na Austrália, uma proposta permite que os usuários optem por não receber feeds recomendados por algoritmos, além de ser o primeiro país a restringir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, uma medida apoiada por 82% da população.
Olhando para a União Europeia, há movimentos no sentido de implementar restrições mais severas, com o desejo de limitar o acesso de menores a redes sociais e inteligência artificial a menores de 13 anos, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, pediu oficialmente a proibição de redes sociais para adolescentes menores de 15 anos. Essas iniciativas demonstram uma preocupação global com o impacto do conteúdo compartilhado na internet, sobretudo na formação de jovens. Apesar de praticamente toda a sociedade reconhecer benefícios na comunicação digital, o aumento no número de pessoas que consideram as redes sociais nocivas revela um movimento de alerta e a necessidade de debates mais aprofundados sobre o tema.
O que sabemos?
- O estudo é do Pew Research Center, divulgado nesta quinta-feira.
- 82% dos adultos australianos apoiam restringir o acesso de crianças às redes sociais.
- 64% dos adultos nos Estados Unidos acreditam que redes sociais prejudicam a democracia.
- A pesquisa entrevistou mais de 45 mil pessoas em 37 países.
- O Reino Unido e a França também estão considerando medidas de restrição aos menores.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





