Política

Inauguração de nova ponte entre China e Coreia do Norte reacende tensões e expectativas

Em apuração ?

Estrutura de quase 3,2 km conecta Dandong a Sinuiju, simbolizando reaproximação estratégica

Imagem da ponte conectando China e Coreia do Norte ao amanhecer
Imagem: CNN Brasil

A ponte recém-inaugurada entre China e Coreia do Norte reforça laços políticos e comerciais, mas também levanta preocupações sobre possíveis usos para burlar sanções internacionais. A obra, que ficou sem uso por anos, faz parte de um processo de melhora nas relações entre Pequim e Pyongyang.

Na quinta-feira (15), foi oficialmente inaugurada a nova ponte com quase 3,2 quilômetros de extensão que conecta a cidade chinesa de Dandong a Sinuiju, na Coreia do Norte. Segundo informações do governo chinês, a estrutura, uma rodovia de quatro faixas, simboliza uma tentativa de fortalecer os laços entre os países, especialmente após o desbloqueio de outras conexões recentes, como uma ferrovia reaberta em março passado e a visita do líder chinês Xi Jinping a Pyongyang em junho. Ainda não confirmado oficialmente, o governo norte-coreano não se pronunciou detalhadamente sobre a inauguração, mas a expectativa é de que essa estrutura facilite a cooperação econômica e o comércio entre os dois países, que já mantêm uma relação estreita.

A ponte, que foi concluída em 2014, permaneceu sem uso por anos devido à finalização incompleta das vias de acesso e instalações fronteiriças do lado norte-coreano. Antes disso, a antiga Ponte da Amizade Sino-Coreana, construída em 1937, era a principal travessia na região, embora só permitisse o tráfego de um sentido por vez, devido a sua única faixa. Especialistas avaliam que a nova estrutura tem um significado importante na reaproximação pública entre Pequim e Pyongyang, marcada por sinais de melhorias, que incluem também a reabertura de conexões de transporte e visitas de altos líderes.

Segundo analistas ouvidos por fontes como a CNN Brasil, essa demonstração de cooperação é vista por alguns como uma estratégia de ambos os lados para mostrar ao mundo uma relação renovada, especialmente após o período em que a Coreia do Norte se aproximou mais da Rússia, numa fase de distanciamento em relação à China. Contudo, há preocupações no ocidente de que a ponte possa ser usada pelo governo norte-coreano para contornar sanções internacionais impostas por organizações como a ONU. A coreia do Norte, reconhecida como o país mais sancionado do mundo, ainda responde por cerca de 95% de seu comércio oficial com a China, principal parceira comercial da região. Ainda de acordo com fontes como a AP, o governo norte-coreano também inaugurou na última semana uma ponte rodoviária que a conecta à Rússia, reforçando um alinhamento de estratégia e interesses internacionais.

Para especialistas como Lim Eul-chul, professor de estudos sobre a Coreia do Norte, a estrutura pode ser utilizada como uma via controlada pelo governo do país para facilitar o comércio e, possivelmente, a evasão de sanções. Yang Mu-jin, professor na Universidade de Estudos Norte-Coreanos, comenta que a postura da China frente às sanções pode depender de suas relações com os Estados Unidos, destacando que, diante do aumento das tensões entre Washington e Pequim, a China estaria adotando uma postura mais passiva na aplicação das restrições. Ainda não há confirmações de que a ponte já esteja sendo usada para esses fins, mas esse foco de preocupação permanece na análise dos especialistas.

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O que sabemos?

  • A ponte liga Dandong, na China, a Sinuiju, na Coreia do Norte.
  • A estrutura mede aproximadamente 3,2 km e é de quatro faixas.
  • Foi concluída em 2014, mas só agora inaugurada oficialmente.
  • Antes, a principal travessia era uma ponte construída em 1937, com uma única faixa.
  • A inauguração ocorre após melhora nas relações entre China e Coreia do Norte, incluindo visita de Xi Jinping a Pyongyang.

Fontes

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