Política

Majoridade dos candidatos à presidência apoia continuidade na produção de petróleo e gás

Em apuração ?

Plano de governo e propostas dos postulantes evidenciam preferência por combustíveis fósseis na campanha eleitoral

Sonda de perfuração de petróleo na Baía de Guanabara, Niterói (RJ)
Imagem: Folha de S.Paulo

Levantamento revela que oito dos doze candidatos à presidência defendem o incentivo à exploração de petróleo e gás natural, enquanto nove sugerem investimentos em energias renováveis. Especialistas criticam a ausência de um cronograma claro para a transição energética.

Data ainda não confirmada oficialmente, uma análise conduzida a partir dos planos de governo enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e respostas das campanhas revela um cenário em que a maior parte dos candidatos à presidência demonstra apoio à manutenção ou expansão da produção de petróleo e gás natural no Brasil. Segundo fontes próximas à apuração, oito dos doze postulantes apresentam propostas voltadas a incentivar os combustíveis fósseis, cuja queima é considerada uma das principais causas do aquecimento global.

Por outro lado, o levantamento indica que nove candidatos defendem políticas na direção de ampliar investimentos em fontes renováveis de energia, incluindo eólica, solar, hidrelétrica, hidrogênio verde e biocombustíveis. Contudo, ainda não foi confirmado oficialmente um cronograma efetivo para a transição energética por parte de qualquer um dos planos de governo, o que tem gerado questionamentos entre especialistas que avaliam o tema como uma pauta pouco priorizada na campanha.

O programa do atual presidente, que busca reeleição, destaca que, caso seja reeleito, continuará a promover o aumento da participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira e a avançar na substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis e combustíveis de baixa intensidade de carbono. Além disso, promete que o Brasil continuará participando de debates internacionais, como o da conferência COP30, promovida pelas Nações Unidas, visando estabelecer metas para reduzir a dependência de fontes poluentes. A campanha também destaca que a produção de petróleo e gás vai seguir, mas sob condições que respeitem o licenciamento ambiental, a viabilidade econômica e os objetivos de descarbonização, conforme declarações divulgadas por assessores próximos ao governo.

Contrapondo essa visão, Rosana Santos, diretora executiva do Instituto E+ Transição Energética, afirma que o plano do governo parece seguir uma lógica de explorar até a última gota de petróleo e gás, utilizando os lucros para financiar a transição, teoria que ela considera pouco detalhada na prática. Para ela, os royalties do petróleo pagos atualmente aos municípios não incentivaram uma economia afastada dos combustíveis fósseis, levantando dúvidas sobre a efetividade das propostas atuais. Já Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, aponta que as propostas do governo refletem contradições, uma vez que defendem o uso de fontes renováveis enquanto ainda reconhecem a importância do petróleo na matriz energética.

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) apresenta um programa centrado em reforçar a infraestrutura de refino, transporte e processamento de combustíveis, além de modernizar a rede de transmissão e integrar fontes renováveis. Segundo informações obtidas, seu documento não propõe uma redução na produção de combustíveis fósseis, mas sim uma transformação na sua utilização, visando transformar a riqueza de petróleo e gás em energia e emprego. Essas posições ainda aguardam confirmação oficial, pois a apuração ainda não consolidou todas as propostas publicamente apresentadas.

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O que sabemos?

  • A maioria dos candidatos apoia a produção de petróleo e gás.
  • Nove candidatos propõem investir em energias renováveis.
  • Ainda não há um cronograma eficaz para a transição energética definido nos planos.
  • Programa do atual presidente reforça o uso de fontes renováveis e participação internacional.
  • Candidatos focam na manutenção ou expansão do setor de combustíveis fósseis.

Fontes

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