Operações no Amazonas reprimem R$ 263 milhões do crime, mas facções continuam dominando os rios
Mesmo com quase 2 mil prisões e apreensões expressivas, controle territorial das facções pelo Rio Solimões se mantém e avança na floresta
Entre 2024 e 2026, as forças de segurança realizaram operações integradas no Amazonas que resultaram em apreensões e prejuízo financeiro ao crime organizado, mas especialistas apontam a manutenção e expansão do domínio das facções nas rotas fluviais da região.
Uma série de operações integradas das Forças de Segurança Estadual e Federal no Amazonas provocou, entre 2024 e 2026, um prejuízo estimado em R$ 263,48 milhões ao crime organizado, além da prisão de 1.902 pessoas, segundo dados obtidos com exclusividade pela Página 99 junto ao balanço da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi). Mesmo diante desse cerco financeiro e da intensificação das ações contra o narcotráfico, especialistas afirmam que as facções criminosas continuam dominando as calhas dos rios da região e ampliando sua influência na floresta amazônica.
O relatório da Senasp detalha que o Governo Federal investiu cerca de R$ 265 milhões em recursos diretos no Amazonas para modernizar a infraestrutura policial, adquirir equipamentos e apoiar ações ostensivas de combate ao tráfico de drogas. Entre as apreensões contabilizadas, destaca-se a interceptação de mais de 15 toneladas de drogas na fronteira do estado, realizada pelas Forças Armadas em maio de 2026, com a maior carga apreendida próxima ao Rio Javari, uma das principais rotas do narcotráfico na fronteira com o Peru.
Em julho de 2026, agentes de segurança apreenderam 2,5 toneladas de cocaína e um fuzil na cidade de Codajás, a cerca de 230 quilômetros de Manaus. Durante essa operação, os suspeitos chegaram a atirar contra as equipes policiais antes de conseguirem fugir, segundo o mesmo relatório. Essas ações evidenciam o alto grau de resistência e o poder bélico das facções locais mesmo frente à presença constante das forças de segurança.
Segundo analistas consultados pela reportagem, as organizações criminosas do Amazonas absorvem as perdas financeiras causadas pelas apreensões como custos operacionais, estratégia que lhes permite manter o domínio sobre as rotas fluviais e terrestres utilizadas para o transporte de drogas e armas. A grande extensão das rotas, em especial pelo Rio Solimões, que é o principal eixo de comunicação e logística da região, dificulta ainda mais o cerco contra o tráfico, tornando desafiadora a contenção total das facções.
As operações confrontam, portanto, uma realidade complexa: apesar do expressivo trabalho conjunto entre governos estadual e federal e dos investimentos financeiros, o controle territorial das facções avança e se fortalece em áreas de difícil acesso, mantendo o ciclo do crime ativo na floresta amazônica. Para os especialistas ouvidos pela Página 99, compreender essa dinâmica é fundamental para formular políticas públicas mais eficazes, que não se limitem apenas às ações repressivas, mas que também atuem na prevenção e no desenvolvimento social da região.
O que sabemos?
- Entre 2024 e 2026, operações integradas no Amazonas causaram prejuízo de R$ 263,48 milhões ao crime organizado.
- Forças de segurança prenderam 1.902 pessoas nesse período no estado.
- Mais de 15 toneladas de drogas foram apreendidas em maio de 2026, na fronteira do Amazonas, a maior apreensão próxima ao Rio Javari.
- Em julho de 2026, 2,5 toneladas de cocaína e um fuzil foram apreendidos em Codajás, com disparos contra agentes.
O que ainda não foi confirmado?
- Informação divulgada apenas por G1; aguardando outras fontes.
Fontes
- G1 imprensa

