Crise humanitária na Venezuela se agrava após meses de lentidão na reconstrução
Falta de recursos, demoras na remoção de escombros e aumento de problemas de saúde desafiam os esforços de recuperação.
Três meses após os terremotos que atingiram a Venezuela, a situação das áreas afetadas permanece crítica, com escassez de água, dificuldades nos alojamentos e desafios na assistência às vítimas, segundo fontes humanitárias.
Quase três meses após os dois grandes terremotos que atingiram a Venezuela, a crise nas regiões mais afetadas ainda é profunda, com indicações de que a recuperação avança lentamente e agravando a situação de vulnerabilidade da população local. Segundo relatos de fontes ligadas à Cáritas e à Cruz Vermelha venezuelana, a dificuldade na retirada de escombros, que é uma etapa essencial para a reconstrução, permanece como um grande obstáculo, além de contribuir para o aumento de problemas de saúde e de assistência. Os relatos mostram que há uma escassez contínua de itens básicos, como alimentos não perecíveis, medicamentos, filtros e pastilhas para tornar a água potável. Susana Raffalli, representante da Cáritas em La Guaira, afirmou que "continuamos precisando de doações de alimentos, medicamentos e insumos para água, além de recursos em dinheiro, embora essa última ajuda esteja mais escassa do que nos primeiros meses após o desastre". Ainda de acordo com ela, essa diminuição no apoio ocorre por uma tendência comum em situações de desastre, à medida que o tempo passa, e que a ajuda é fundamental para evitar o agravamento da crise. Com o aumento de problemas respiratórios decorrentes da contaminação pelos escombros, a questão da saúde também preocupa as organizações humanitárias, que alertam para um aumento de transtornos mentais na população afetada. Pessoas amputadas, com transtornos de ansiedade ou que vivem o luto da perda de familiares estão entre os que demandam maior atenção. Segundo Lila Vanorio, coordenadora de Comunicação da Cruz Vermelha venezuelana, a instituição tem um planejamento de assistência de 24 meses que pretende atingir 300 mil pessoas, tendo já atendido mais de 6.000 famílias com kits de higiene, de cozinha e outros itens essenciais. Mesmo com o avanço nesse apoio, muitos habitantes tiveram que deixar a região, predominantemente para outras partes do país, especialmente aqueles que residiam em áreas que precisaram ser evacuadas devido às condições precárias. Raffalli ressaltou que, apesar de haver vagas nos abrigos, a crise sanitária e social ainda é intensa, com destaque para o aumento de problemas respiratórios e a vulnerabilidade de crianças e idosos. Por outro lado, as informações oficiais parecem estagnadas: o governo venezuelano não divulgou novos números de mortos ou desaparecidos, mantendo o balanço de 6.509 mortes desde o último levantamento, feito em agosto. De acordo com a plataforma "Desaparecidos Terremoto Venezuela", há quase 30 mil pessoas sem paradeiro conhecido, um dado que evidencia a grande dificuldade de contabilizar todas as vítimas devido à ausência de corpos e à lentidão na recuperação dos corpos e sobreviventes. A situação mostra que a crise aliada às dificuldades na recuperação evidencia uma necessidade urgente de maior apoio internacional e de uma resposta mais ágil para evitar uma tragédia humanitária prolongada, que ainda desafia a capacidade de mobilização das organizações de auxílio humanitário na região.
O que sabemos?
- A Venezuela sofreu dois grandes terremotos há três meses.
- A recuperação das áreas afetadas está lenta, agravando problemas como escassez e saúde.
- A ajuda humanitária diminuiu após as primeiras semanas do desastre.
- Mais de 6.000 famílias já foram atendidas com kits de auxílio.
- A plataforma "Desaparecidos" indica quase 30 mil pessoas desaparecidas.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





