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Impacto do El Niño no Pacífico: pescadores enfrentam perdas e mudanças na rotina

Em apuração ?

Aquecimento dos oceanos e migração de espécies ameaçam o sustento de comunidades pesqueiras na América Latina

Pescadores americanos observando o mar aquecido
Imagem: Folha de S.Paulo

O fenômeno El Niño provoca aumento da temperatura do mar, reduz a produtividade marinha e força pescadores artesanais a recorrerem a outros trabalhos. Ainda há muitas incertezas, mas os efeitos já são sentidos na região.

Segundo informações de uma fonte especializada, os pescadores do Pacífico oriental estão sofrendo com os efeitos do aquecimento causado pelo fenômeno climático El Niño, que afeta drasticamente as águas do oceano nesta região. Desde o litoral do Equador e do Peru até o Panamá e a Guatemala, os pescadores artesanais têm observado espécies essenciais, como anchovetas, atuns e pargos, se afastando em busca de águas mais frias, dificultando sua atividade principal.

Segundo relato de um pescador no povoado equatoriano de Santa Rosa, o aumento da temperatura do mar chegou a até 6°C. Ele descreve a situação: "A água está quente. Passamos a noite em claro, e, ao amanhecer, apenas conseguimos capturar seis bonitos, um pequeno tipo de atum." Ainda de acordo com informações de uma fonte, essa situação tem causado uma crise na pesca local, que antes era bastante produtiva, mas agora enfrenta dificuldades de sustento e de mercado.

Dados mais amplos apontam que, atualmente, a temperatura média dos oceanos, descontando as regiões polares, atingiu 21,07°C — nível igualado ao recorde de março de 2024, conforme o observatório europeu Copernicus. A elevação da temperatura nos mares, especialmente na superfície e até 40 metros de profundidade, chegou a cerca de 3°C na região do Equador, o que prejudica a vida marinha, reduzindo sua produtividade e dificultando a pesca, como explica o oceanógrafo Jonathan Cedeño.

Além disso, pescadores de diversos países têm que se deslocar cada vez mais longe da costa para tentar encontrar espécies que antes estavam próximas. Em Veracruz, na Cidade do Panamá, Rigoberto González, de 59 anos, conta que a jornada de pesca aumentou e os custos também. "Gasto mais em gasolina e gelo, e ainda assim obtenho menos peixe. Costumávamos colher bastante em uma hora, agora precisamos de três dias para o mesmo resultado", relata.

Para os trabalhadores locais, a situação se torna insustentável, levando alguns a abandonarem essa atividade tradicional. Em Iztapa, na Guatemala, Eliseo Ovando, de 50 anos, afirma que a nova rotina exige três dias de trabalho para alcançar o mesmo volume de antes e reclama da desigualdade na ajuda oferecida pelo governo: "Só as grandes empresas recebem apoio, enquanto nós, pequenos pescadores, ficamos para trás." No Peru, o impacto é ainda mais sério, já que o deslocamento das anchovetas para águas mais quentes obrigou muitos pescadores a migrarem para outros ofícios, como a construção civil. A pesca do peixe, fundamental para a produção de ração animal e adubo, está cada vez mais difícil, o que pode comprometer toda a cadeia de alimentos na região.

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O que sabemos?

  • O fenômeno El Niño aquece o oceano Pacífico, elevando a temperatura do mar até 6°C.
  • Espécies como anchovetas, atuns e pargos se afastam em busca de águas mais frias, dificultando a pesca.
  • A temperatura média dos oceanos atingiu 21,07°C, igualando recordes de março de 2024.
  • Pescadores estão tendo que se deslocar mais longe da costa e enfrentar maiores custos.
  • Na Guatemala, a pesca leva até três dias para conseguir o mesmo resultado de antes.

Fontes

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