Transformar o agronegócio brasileiro para a sustentabilidade pode custar até R$ 2,6 trilhões, aponta estudo
Investimentos necessários para uma transição ecológica no setor agrícola até 2050 são considerados robustos, mas essenciais para o futuro do país
Segundo relatório, a transição para um agronegócio mais sustentável no Brasil pode exigir até US$ 511 bilhões em investimentos, o equivalente a R$ 2,6 trilhões, incluindo melhorias em infraestrutura, recuperação de pastagens e crédito verde.
Um estudo divulgado recentemente pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com o ClimaInfo, revelou que tornar o setor do agronegócio brasileiro mais sustentável pode demandar um investimento de até US$ 511 bilhões até 2050, o que equivale a aproximadamente R$ 2,6 trilhões na cotação atual. Segundo a pesquisa, esse valor é necessário para implementar medidas como recuperação de pastagens degradadas, expansão de sistemas integrados de produção, além de investimentos em crédito rural verde, rastreabilidade e melhorias na infraestrutura agrícola.
A análise reforça que, para alcançar esse objetivo, o Brasil precisará de um esforço financeiro significativo, envolvendo desde a reabilitação de áreas desgastadas até a adoção de práticas de produção mais eficientes e menos poluentes. Ainda segundo o estudo, essa transformação não significa abandonar a produção em larga escala, mas aumentar a produtividade e reduzir o impacto ambiental, aproveitando pastagens em degradação, promovendo a agrofloresta e estimulando a bioeconomia como estratégias de longo prazo.
Entre os custos estimados, o crédito rural verde se sobressai, podendo alcançar US$ 126 bilhões até 2050, com o objetivo de criar linhas de financiamento específicas para produtores que adotem práticas mais sustentáveis. Além disso, a restauração de florestas e a implementação de sistemas agroflorestais também aparecem como setores críticos, com custos projetados em até US$ 80 bilhões. Os autores do relatório destacam que tais investimentos são essenciais para que o Brasil possa atender às exigências do comércio global, que cada vez mais valoriza produtos produzidos de forma sustentável, aliando crescimento ao cuidado com o meio ambiente.
O estudo detalha ainda que os atuais custos sistêmicos do modelo agrícola brasileiro ultrapassam US$ 410 bilhões por ano, incluindo despesas com energia, combustíveis, logística, fertilizantes e defensivos, além de perdas na pós-colheita e desperdícios. Essas despesas, atualmente, variam entre R$ 24 bilhões e R$ 32 bilhões, à medida que as condições climáticas e a produtividade aumentam ou caem. Assim, a transição ecológica representa uma oportunidade de reduzir esses custos, ao mesmo tempo em que favorece a sustentabilidade econômica do setor.
Porém, a questão da incerteza na política e o aperto de crédito, agravados por uma crise no Supremo Tribunal Federal, ainda não confirmada oficialmente, trazem um certo grau de imprevisibilidade ao cenário. Segundo fontes, o governo também anunciou um leilão para comprar até 127,33 mil toneladas de arroz na próxima quarta-feira, num esforço de garantir o abastecimento e controlar preços, mas sem relação direta com os custos de sustentabilidade.
O que sabemos?
- A transição do agronegócio brasileiro em direção à sustentabilidade pode exigir até US$ 511 bilhões até 2050.
- O custo anual do modelo atual do setor agrícola é estimado entre US$ 410 bilhões e US$ 526 bilhões.
- Investimentos incluem recuperação de pastagens, crédito verde, rastreabilidade e melhorias na infraestrutura.
- Crédito rural verde pode atingir US$ 126 bilhões até 2050.
- Restauração de florestas e agrofloresta implicam custos estimados em até US$ 80 bilhões.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




