Economia

Análise do mercado de trabalho no Brasil indica desaceleração, mas sem sinais de recessão

Em apuração ?

Estudo adaptado da regra de Sahm sugere que economia mantém estabilidade momentânea apesar da perda de força

Gráfico ilustrando a estabilidade do mercado de trabalho no Brasil
Imagem: Folha de S.Paulo

Segundo análise exclusiva, o mercado de trabalho brasileiro demonstra sinais de desaceleração, mas ainda não aponta para uma recessão iminente segundo critérios utilizados por especialistas.

Apesar de uma perda de ritmo observada nos dados do mercado de trabalho brasileiro, um estudo desenvolvido pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, indica que ainda não há sinais concretos de que a economia do país esteja caminhando para uma recessão. A análise, exclusiva da Folha de S.Paulo, adapta uma métrica originalmente criada para os Estados Unidos — a regra de Sahm — para o contexto brasileiro, levando em consideração suas características específicas, como maior informalidade no emprego.

Segundo Imaizumi, a regra, que utiliza a variação de três meses na taxa de desemprego para sinalizar possíveis recessões, foi ajustada para um limiar mais sensível de 0,3 ponto percentual, menor que o usado nos Estados Unidos, onde o limiar é de 0,5 ponto. Essa mudança visa captar sinais de desaceleração econômica com maior rapidez no Brasil, onde o mercado de trabalho responde de forma diferente, muitas vezes com migração de vagas formais para informais, sem um aumento imediato na taxa de desemprego.

De acordo com dados dessazonalizados coletados desde o final de 1995 pelo IBGE, a diferença entre a média móvel trimestral da taxa de desemprego e seu menor valor nos últimos 12 meses vinha se aproximando do limiar, tendo passado de 0,13 ponto percentual em junho para 0,12 em julho. Ainda assim, Imaizumi afirma que o mercado de trabalho permanece resiliente e forte, mesmo com sinais de desaceleração. "O mercado de trabalho está em desaceleração, mas segue ainda resiliente, ainda forte", afirmou o economista.

Durante a análise, ele ressaltou que a reação do mercado brasileiro é frequentemente com certo atraso, o que impede uma leitura direta de uma recessão apenas com base na regra de Sahm adaptada. Além disso, ele destacou que a ausência de uma definição oficial para recessão no Brasil, que muitas vezes é avaliada por outros indicadores além do crescimento do PIB, torna as conclusões mais complexas. O Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da FGV, identificou a última recessão no País no período de janeiro a junho de 2020, marcada pelo impacto da pandemia de Covid-19.

Portanto, até o momento, a avaliação de especialistas sugere que, apesar da perda de força, o mercado de trabalho brasileiro ainda não demonstra sinais inequívocos de uma crise maior, mantendo uma certa estabilidade diante de um cenário que sinaliza uma desaceleração parcial.

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O que sabemos?

  • O mercado de trabalho brasileiro demonstra desaceleração, mas sem sinais de recessão segundo estudo exclusivo.
  • A análise utiliza uma adaptação da regra de Sahm, com um limiar de 0,3 ponto percentual.
  • Dados do IBGE mostram estabilidade na diferença entre a média móvel da taxa de desemprego e seu menor valor recente.
  • Última recessão confirmada no Brasil ocorreu de janeiro a junho de 2020, durante a pandemia.

Fontes

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