Economia

Preço do cobre atinge recordes históricos impulsionado por boom da inteligência artificial

Em apuração ?

Especulação, demanda crescente e incertezas tarifárias elevam valor do metal vermelho ao maior nível já registrado

Imagem: CNN Brasil

A valorização do cobre bateu recorde com preços em alta devido à forte demanda relacionada à inteligência artificial e dificuldades na produção global. Especialistas apontam que, apesar da queda temporária, os fundamentos indicam preços ainda mais elevados.

O mercado de commodities vive uma fase de grande expectativa e alta nos preços do cobre, metal essencial para a indústria eletrônica, automotiva e de construção civil. Segundo informações apuradas, os futuros negociados em Nova York fecharam na quarta-feira a US$ 6,89 por libra, atingindo o maior valor já registrado, enquanto em Londres os contratos por tonelada métrica também atingiram máximas históricas. Essa valorização ocorre em um momento de forte impulso causado pelo boom da inteligência artificial e por incertezas relacionadas às tarifas comerciais, segundo fontes do mercado.

Desde o início do ano, o preço do cobre acumulou alta de mais de 15%, superando outros ativos como ouro, prata, bitcoin e o índice S&P 500. Nos últimos 12 meses, o aumento foi de 40%. Essa escalada é atribuída não apenas à forte demanda do mercado, que inclui fabricação de veículos elétricos e infraestrutura para data centers de inteligência artificial, mas também a problemas na oferta global do metal. Dados preliminares do International Copper Study Group indicam que a produção mundial de cobre recuou 1,1% no primeiro semestre de 2026, com destaque para o Chile, maior produtor mundial, que apresentou queda de 6,6%. Condições climáticas adversas e deterioração das minas contribuíram para essa dificuldade na produção, embora exista atualmente um superávit de cobre refinado no mercado.

Apesar do excesso de cobre refinado disponível, a produção menor nas minas tem preocupado analistas sobre o possível aperto na oferta futura, principalmente em um momento de alta demanda. Ainda assim, o mercado também leva em conta fatores políticos, como as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos. Segundo informações de uma fonte especializada, o presidente Donald Trump aplicou uma tarifa de 50% sobre produtos de cobre semiacabados no ano passado, enquanto há uma expectativa de uma possível tarifa de 15% sobre produtos de cobre refinado, o que pode impactar diretamente os preços globais. Essa incerteza tarifária tem levado operadores a realizar compras antecipadas em volume elevado, inclusive enviando grandes quantidades de cobre para os Estados Unidos para se proteger de aumentos futuros, o que, por sua vez, drena estoques em outras partes do mundo, elevando ainda mais os preços.

Edward Meir, analista de commodities da Marex, relatou à CNN Internacional que “as pessoas estão estocando metal porque não têm certeza se Trump vai impor tarifas sobre o cobre ou não. Se ele impuser tarifas, querem garantir que têm metal suficiente para se manter. Por isso, houve uma corrida desenfreada.” Apesar da recente queda de 5% nos preços, a expectativa de analistas é de que os fundamentos do mercado continuem apoiando uma trajetória de preços mais altos a longo prazo, devido à demanda robusta e às dificuldades de produção global. A combinação desses fatores mantém o cobre na mira de investidores e indústrias, que enxergam o metal vermelho como um indicativo de tendências econômicas e tecnológicas em rápida evolução.

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O que sabemos?

  • Preços do cobre atingiram níveis recorde, com futuros em Nova York fechando a US$ 6,89 por libra.
  • Demanda relacionada à inteligência artificial e veículos elétricos impulsiona os preços.
  • Produção global de cobre recuou 1,1% no primeiro semestre de 2026, com destaque para o Chile, que teve queda de 6,6%.
  • Operadores estocaram cobre nos EUA em antecipação a possíveis tarifas, drenando estoques globais.

Fontes

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