Economia

Guerra aumenta em 50% o custo do terminal de GNL de Suape, em Pernambuco

Em apuração ?

Investimentos no projeto passam de R$ 2 bilhões para cerca de R$ 3 bilhões devido às tensões internacionais

Ilustração de uma embarcação de armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito
Imagem: CNN Brasil

A instabilidade no cenário global elevou o custo previsto para o Terminal de Regaseificação de Suape em Pernambuco, que deve ficar pronto em 2027.

Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, o investimento estimado para o terminal de GNL (gás natural liquefeito) de Suape, em Pernambuco, sofreu um aumento de aproximadamente 50% devido às atuais guerras internacionais. O custo que era previsto em R$ 2 bilhões ao todo agora deve chegar a cerca de R$ 3 bilhões, considerando as despesas ao longo de 15 anos.

O diretor-presidente da empresa responsável pelo projeto, a Oncorp, explicou que as tensões no cenário geopolítico, especialmente a guerra entre Rússia e Ucrânia, bem como conflitos no Oriente Médio, têm impulsionado essa alta nos custos. Ainda de acordo com ele, essa instabilidade gerou maior procura por equipamentos e infraestrutura que garantam o abastecimento de energia em tempos de crise. Em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN, o executivo afirmou: "Estamos em um período em que a guerra deixou de ser uma questão fortuita e virou praticamente um acontecimento em que a gente não entende mais como surpresa".

Um dos fatores que contribuem para o aumento do investimento é a demanda por unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação, conhecidas pela sigla em inglês FSRU. Essas embarcações, que recebem GNL e o transformam de volta em gás para abastecer os mercados consumidores, tiveram o custo de afretamento, ou seja, o aluguel em contratos de longo prazo, variando entre US$ 90 mil e US$ 180 mil por dia. A previsão do projeto é que ele seja concluído no quarto trimestre de 2027, embora a data inicial, prevista para 2025, tenha sido revista devido a adiamentos no leilão de reserva de capacidade de demanda de gás.

O referido leilão, realizado em março de 2026, definiu a quantidade de gás que será destinada às termelétricas e demais consumidores, influenciando diretamente o planejamento do terminal. Segundo João Guilherme Mattos, a espera para participar do leilão complicou a elaboração do projeto, pois a quantidade de demanda contratada poderia alterar o tamanho e a operação do terminal. Apesar da relevância do mercado de termelétricas a gás, o executivo destacou que o terminal de Suape terá perfil multiuso, ou seja, não dependerá exclusivamente dessas usinas, conectando-se à malha de transporte de gás para atender outros consumidores.

Essa estratégia de diversificação, segundo ele, diferencia o projeto de outros destinados especificamente ao suprimento de geração elétrica, fortalecendo a proposta de ampliar as alternativas de entrada de GNL no Brasil. Assim, o projeto busca contribuir para a maior concorrência e diversificação de fornecedores de gás natural, aspecto que ainda está em fase de planejamento e depende de fatores internacionais e de mercado.

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O que sabemos?

  • O investimento do terminal de GNL de Suape aumentou de R$ 2 bilhões para aproximadamente R$ 3 bilhões devido às guerras internacionais.
  • O projeto deve ser concluído no quarto trimestre de 2027, com atraso em relação ao cronograma inicial de 2025.
  • A maior demanda por equipamentos e unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação (FSRU) é atribuída ao impacto das tensões globais.
  • O leilão de reserva de capacidade, realizado em março de 2026, influenciará a configuração final do terminal.
  • O projeto terá perfil multiuso, podendo atender a diferentes consumidores de gás ao invés de se limitar às termelétricas.

Fontes

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