Economia

Variação de preços do tomate em 2026 surpreende especialistas e atinge setores da inflação

Em apuração ?

Temperaturas mais baixas e redução na área plantada influenciam comportamento atípico do fruto neste ano

Tomate em uma feira com preços variados ao fundo
Imagem: CNN Brasil

Panturrilha de oscilações de preços do tomate chamou atenção de especialistas, enquanto fatores climáticos e redução na área de cultivo explicam o fenômeno atípico de 2026.

Ao longo de 2026, o mercado de hortifrutis tem registrado uma oscilação incomum no preço do tomate, um dos itens mais sensíveis da cesta básica brasileira. Segundo João Paulo Deleo, pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), essa variação intensa e fora do padrão histórico se deve a fatores climáticos que afetaram diretamente a produção. De acordo com ele, a colheita do fruto tem sido bastante influenciada pelo clima, com temperaturas baixas retardando a maturação e temperaturas mais altas acelerando a colheita, o que causa uma forte volatilidade de preços ao longo do ano.

Nos últimos meses de 2025, especialmente em setembro, novembro e dezembro, os preços do tomate apresentaram sucessivas quedas expressivas: -11,52%, -10,38% e -3,95%, respectivamente, refletindo uma retração que impactou o índice de preços ao consumidor. Contudo, em 2026, esse movimento se inverteu, com registros de alta. Janeiro, por exemplo, teve um aumento de 20,52%, e março, abril e maio seguiram com altas de 20,31%, 6,13% e 20,62%. Valores que chamaram a atenção pelo volume de variações, especialmente porque, historicamente, o pico de preços costuma ocorrer na primeira metade do ano, período de entressafra e chuvas, o que não foi o caso em setembro, mês em que a alta recorde de 37,76% foi registrada.

João Paulo Deleo explica que esse comportamento incomum está relacionado a fatores climáticos e mercadológicos. Os dias nublados e chuvosos prejudicaram a fotossíntese das plantas, resultando em frutos de menor calibre e redução na produtividade em regiões importantes do Sudeste e Centro-Oeste. "Tradicionalmente, temos preços mais baixos no segundo semestre, especialmente em agosto e setembro, por causa do tempo seco e ensolarado que acelera a maturação. Este ano, porém, o cenário foi diferente. Os preços entre setembro e outubro atingiram picos mais altos do que em maio", afirma o especialista.

Outro fator que contribuiu para a alta do tomate foi a redução na área plantada. Segundo dados do Cepea, as áreas dedicadas ao cultivo diminuíram 5,4% em 2026 e cerca de 16,3% nos últimos dois anos, devido aos prejuízos enfrentados pelos produtores em safras anteriores. Ainda segundo a fonte, essa diminuição na extensão de cultivo é resultado da retirada de áreas por conta de perdas anteriores, o que impacta diretamente na oferta do produto. A CNN Brasil divulgou uma estimativa de que a área de tomate em São Paulo cresceu 10,8% em 2026, apesar de a produtividade ter recuado 11,5%, deixando claro o desequilíbrio entre área cultivada e produção efetiva.

Por ora, ainda não há confirmações oficiais de outras campanhas ou fatores adicionais, e o clube não se pronunciou sobre possíveis impactos comerciais ou econômicos específicos. A expectativa de especialistas é que, devido às oscilações de preços e redução na oferta, a inflação de alimentos, liderada pelo tomate e pela batata, deve continuar exercendo pressão sobre os índices de inflação ao longo de 2027. A complexidade do cenário demonstra que o comportamento atípico de 2026 poderia indicar mudanças estruturais na agricultura de hortifrutis no Brasil, aceleradas por questões climáticas e de mercado, que ainda precisam ser corroboradas por novas análises.

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O que sabemos?

  • O tomate teve oscilações de preços mais fortes em 2026 devido a fatores climáticos.
  • A alta recorde de 37,76% ocorreu em setembro de 2026, contrariando o padrão histórico de preços.
  • Redução da área plantada, em torno de 5,4% em 2026 e 16,3% em dois anos, impacta na oferta do tomate.
  • Especialistas relacionam a volatilidade do preço ao clima e à diminuição das áreas cultivadas.
  • Preços do tomate influenciam a inflação de alimentos, que deve continuar alta em 2027.

Fontes

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