Economia

Montadoras brasileiras planejam nova ofensiva para reverter queda nas exportações de caminhões e ônibus

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Setor busca ampliar mercado internacional em meio à disputa com marcas chinesas na América Latina

Imagem: Folha de S.Paulo

Indústria de veículos pesados no Brasil pretende intensificar ações para recuperar participação de mercado e diversificar seus destinos de exportação, segundo informações da Anfavea.

As montadoras de veículos pesados no Brasil estão articulando uma estratégia para reativar e ampliar suas exportações, que vêm enfrentando dificuldades nos últimos anos devido à concorrência acirrada de marcas chinesas na região. Segundo fontes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o setor planeja uma intensa agenda de internacionalização em 2027, com foco na busca por novos mercados e na retomada de acordos comerciais com países da América Latina, África e Ásia.

De acordo com a Anfavea, ainda não há detalhes concretos sobre quais países ou regiões específicas serão prioridade, mas o próprio presidente da entidade afirmou que, até o próximo ano, haverá esforços concentrados na recuperação dos laços comerciais com partes do exterior que historicamente absorviam um volume significativo de caminhões e ônibus produzidos no Brasil. Segundo Igor Calvet, o objetivo é garantir a competitividade dos veículos nacionais, que recentemente vêm perdendo espaço para modelos chineses, especialmente no segmento de pesados. "Em 2027, um dos trabalhos que a Anfavea vai ter que fazer é ir atrás de novos mercados, trazer acordos de volta, com uma agenda estratégica para garantir nossa competitividade na região", afirmou Calvet, ressaltando ainda a necessidade de diversificar a dependência do mercado argentino.

Enquanto isso, setores do mercado têm observado que as garantias fiscais que favorecem os veículos pesados brasileiros na Argentina, como tarifas reduzidas e outros incentivos, ainda não têm sido suficientes para impedir o avanço de marcas asiáticas. Executivos do setor afirmam que esses obstáculos fiscais, embora ainda presentes, não têm sido capazes de evitar que modelos chineses conquistassem espaço nos mercados tradicionais, antes dominados por marcas nacionais. Durante o evento Anfavea Visions em São Paulo, realizado em maio, Roberto Cortes, CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), destacou que o mercado de veículos pesados no Brasil está passando por uma espécie de reversão, com a perda de fatias de mercado para os concorrentes chineses. A VWCO, que completou 45 anos de exportações neste ano e já embarcou mais de 200 mil unidades para a África, Oriente Médio e outros destinos, também planeja reforçar sua presença internacional com uma nova estratégia de vendas e parcerias.

Na mesma linha, o segmento de ônibus urbanos também enfrenta desafios semelhantes. Marcas chinesas como Higer e Zhongtong já manifestaram interesse de expandir suas operações na América Latina, dificultando ainda mais a estabilidade do mercado de marcas tradicionais, como Scania, Volvo e Mercedes-Benz, que possuem fábricas no Brasil. A competição acirrada tem levado especialistas a prever que as exportações brasileiras de veículos pesados podem ficar mais vulneráveis nos próximos anos, enquanto o setor busca maneiras de se adaptar às novas dinâmicas do mercado global. Assim, o esforço da indústria brasileira de caminhões e ônibus para retomar seu espaço no mundo aparece como uma resposta direta às mudanças de cenário externas, que, ainda não confirmadas oficialmente, indicam uma tendência de maior concorrência externa e necessidade de novas estratégias comerciais.

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O que sabemos?

  • Montadoras planejam aumentar exportações de caminhões e ônibus em 2027.
  • Setor busca novos mercados e retomar acordos comerciais internacionais.
  • Concorrência chinesa tem avançado na América Latina, ameaçando marcas tradicionais.
  • VWCO já embarcou mais de 200 mil veículos exportados para vários continentes.
  • Exportações de veículos pesados brasileiras estão vivendo momento delicado.

Fontes

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