Elevada endividança dos mais ricos revela mudança no uso de crédito no Brasil
Dados do Banco Central apontam aumento no uso de rotativo e cheque especial entre quem possui rendimentos mais elevados
Nos últimos três anos, o endividamento via cartão de crédito rotativo e cheque especial cresceu entre as classes mais ricas, enquanto diminuiu entre os mais pobres, indicam estatísticas oficiais.
Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o comportamento de endividamento dos brasileiros tem mostrado uma tendência preocupante entre os mais ricos. Enquanto o uso do cartão de crédito rotativo e do cheque especial cresceu expressivamente entre quem ganha acima de dez salários mínimos, essas modalidades de empréstimo tiveram uma redução significativa entre os que possuem rendimentos menores. Essa mudança reflete, possivelmente, uma deterioração na saúde financeira das classes média e alta, além de um aumento na oferta de crédito destinada aos mais ricos como uma estratégia de proteção contra riscos crescentes de inadimplência.
O saldo devedor dos indivíduos com rendimentos superiores a dez salários mínimos nesses tipos de crédito apresentou um aumento real de 93% entre julho de 2023 e julho de 2024, descontada a inflação, conforme revelou a reportagem. O peso dessa parcela no total emprestado saltou de 13,1% para 23,3%, atingindo cerca de R$ 30,3 bilhões. Ainda de acordo com a fonte, o uso de linhas de crédito emergenciais, como o rotativo do cartão e o cheque especial, continuam sendo alguns dos empréstimos mais caros do mercado, com juros mensais de 15,18% e 7,43%, respectivamente, uma tarifa elevada que torna esses recursos de difícil quitação.
Uma norma publicada em 2024 reforça a cautela relacionada a essas modalidades, limitando que a dívida de quem atrasar o pagamento da fatura do cartão de crédito não possa ultrapassar o dobro do valor original, o que implica um teto de 100% para a taxa de juros acumulada. Ainda não há confirmação oficial de que essas mudanças estejam impactando diretamente o comportamento de endividamento, mas a tendência aponta para uma maior utilização de crédito por uma parcela mais abastada da população, ao mesmo tempo em que o uso entre os mais pobres permanece em queda, possivelmente por dificuldades de acesso ou maior cautela financeira.
O que sabemos?
- O uso de rotativo e cheque especial aumentou entre quem ganha mais de dez salários mínimos.
- Essas modalidades de crédito representam uma das categorias mais caras do mercado, com juros mensais elevados.
- O saldo devedor desses públicos cresceu 93% de julho de 2023 a julho de 2024, descontada a inflação.
- Desde 2024, há uma norma limite para o valor da dívida em caso de atraso no pagamento.
- O movimento revela uma possível deterioração financeira entre as classes média e alta, além de uma maior oferta de crédito a esses grupos.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





