Mercosul mira acordo com China diante de tarifas dos EUA, sinalizando reposicionamento na pauta comercial
Após assinatura do acordo com a União Europeia, bloco sul-americano volta suas atenções ao mercado chinês, em meio a escalada tarifária americana.
Com o acordo Mercosul-União Europeia selado, o bloco deve intensificar negociações com a China, especialmente após anúncio de tarifas adicionais pelos EUA sobre produtos brasileiros.
Após a assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, o bloco sul-americano parece estabelecer uma estratégia de reposicionamento diante do cenário global, voltando sua atenção para uma parceria mais relevante em termos de volume de comércio: a China. Segundo informações de uma fonte do governo, essa movimentação é uma resposta ao aumento de tarifas por parte dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que ameaça afetar especialmente o setor do agronegócio, responsável por uma parte significativa das exportações do país.
O tema ganhou maior evidência após uma conversa no fim de julho entre o presidente Lula e o presidente chinês Xi Jinping. Segundo o Planalto, durante o diálogo, os líderes discutiram a necessidade de acelerar as negociações entre o Mercosul e Pequim, além de concordarem com a importância de avançar com "as flexibilidades necessárias" para um possível acordo formal, ainda que preliminar. Essa sinalização, apesar de não representar uma confirmação oficial de um cronograma, indica um reposicionamento estratégico que deve impactar a agenda das empresas brasileiras envolvidas no comércio exterior.
O momento não é aleatório. Logo após a conversa entre Lula e Xi, o governo americano anunciou a implementação de tarifas adicionais de 25% sobre cerca de 3.000 produtos brasileiros. A medida, que entrou em vigor recentemente, se dá após uma investigação da Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontou práticas consideradas injustas na condução comercial do Brasil. Ainda não há confirmação oficial de que a pauta negociada com a China irá afetar diretamente esses tarifamentos, mas analistas apontam que há uma preocupação de que a escalada protecionista impacte ainda mais as exportações brasileiras.
Por enquanto, o governo brasileiro evita dar detalhes sobre o andamento das negociações com a China, junto ao Mercosul, mas o tema já ocupa espaço importante na agenda política e empresarial. A possibilidade de um acordo mais próximo com Pequim é vista como uma oportunidade para diversificar mercados e reduzir a vulnerabilidade diante da crescente pressão tarifária por parte dos EUA, especialmente para os exportadores do agronegócio, que representam uma parcela significativa da economia local. Ainda assim, a formalização de um acordo completo ainda não foi confirmada oficialmente, e o Brasil permanece atento às movimentações internacionais nesse cenário de tensões comerciais internacionais.
O que sabemos?
- O Mercosul assinou acordo com a União Europeia.
- Lula e Xi Jinping conversaram no fim de julho sobre negociações comerciais.
- Os EUA aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3.000 produtos brasileiros.
- As negociações entre Mercosul e China ainda estão em fase preliminar.
- O foco político é reequilibrar a pauta de exportações diante das tarifas americanas.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





