Economia

Mercado de carne bovina aponta para recorde de R$ 400 por arroba, enquanto EUA importam mais carne do Brasil e Argentina

Em apuração ?

Preços do boi se aproximam de patamar histórico em meio a sinais de retomada nas exportações e compras internacionais

Gráfico de preços do mercado de carne bovina com tendência de alta
Imagem: CNN Brasil

O mercado futuro do boi no Brasil caminha para uma possível marca de R$ 400 por arroba. Enquanto isso, os EUA reforçam compras de carne brasileira e sul-americana, elevando expectativas de preços mais altos.

O mercado de carne bovina no Brasil vive uma fase de otimismo, com as cotações do boi gordo caminhando firmes para atingir recordes históricos, potencialmente chegando a R$ 400 por arroba, um valor que ainda não havia sido confirmado oficialmente, mas que especialistas consideram possível.

Segundo informações da consultoria HN Agro, as cotações do mercado futuro fecharam na última sexta-feira (04) com o contrato de setembro na Bolsa de Valores B3 em R$ 359,20, o que representa mais de R$ 10 acima do valor do físico, avaliado pelo indicador do Cepea em R$ 347,70 na mesma data. Os vencimentos para outubro, novembro e dezembro também estabeleceram recordes, com preços de R$ 374,80, R$ 378,80 e R$ 379,65, respectivamente. Além disso, o mercado de contratos para janeiro de 2027 já precificou a arroba acima de R$ 380, chegando a R$ 381, o que reforça a expectativa de alta contínua.

Esse cenário se apoia na retomada dos embarques de carne brasileira para a China e na venda de carne aos Estados Unidos sem tarifas, o que projeta uma demanda internacional aquecida. Segundo Hyberville Neto, especialista da HN Agro, "com a menor oferta de fêmeas projetada para os próximos meses e a retomada gradual das compras por parte dos dois principais mercados compradores do Brasil, o mercado físico tende a encontrar maior suporte a partir da segunda metade de setembro, pavimentando um início de ano forte para a cadeia da carne bovina".

Para colocar em perspectiva, a média de preços em São Paulo no primeiro trimestre de 2026, já com embarques aquecidos ao mercado chinês, foi de R$ 320,60 em janeiro, R$ 342,30 em fevereiro e R$ 350,20 em março. Ainda que a demanda chinesa esteja forte, os preços atuais estão bem abaixo das cotações para 2027, o que indica potencial de crescimento. Hyberville ressalta que, após uma desaceleração nos embarques em julho e agosto, há projeções de aumento nos abates a partir de outubro, tanto para o mercado chinês quanto para o interno.

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Paralelamente, um pronunciamento recente do presidente dos Estados Unidos chamou a atenção. Donald Trump afirmou que a maior parte da carne bovina importada pelos EUA, a fim de conter a inflação, virá do Brasil e da Argentina. Ainda não há confirmação oficial, mas Trump elogiou a qualidade do produto sul-americano ao falar sobre uma cota adicional de 300 mil toneladas de carne magra, livre de taxas, que deve abastecer o mercado norte-americano diante da oferta doméstica restrita e dos preços recordes.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela HN Agro, mostram que os EUA compraram 31,3 mil toneladas de carne bovina em agosto, um salto de 389,8% em relação ao mesmo mês de 2025, logo após o anúncio das tarifas. Ainda não confirmado, esse aumento indica uma tendência de embarques mais intensos a partir de setembro. Apesar da bem-vinda recuperação brasileira, a China reduziu suas compras em 89,9% em agosto, segundo a fonte, o que impacta temporariamente o mercado. No entanto, sete entre os dez principais destinos da carne brasileira aumentaram suas compras em agosto, com destaque para os embarques à Holanda (+184,7%), Arábia Saudita (+132,5%) e Rússia (+69,4%). Itália, Líbia e Espanha também registraram volumes históricos nesse período.

Por fim, Hyberville Neto não descarta a possibilidade de a arroba atingir os R$ 400, considerando o cenário de mercado que já se apresenta bastante aquecido. "Não me surpreenderia, não seria algo surpreendente, a arroba chegar nos R$ 400", afirmou à CNN Brasil, reforçando que, com o atual ritmo de alta, esse valor pode não estar longe da realidade nas próximas semanas ou meses.

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O que sabemos?

  • O contrato de setembro do boi na bolsa fechou em R$ 359,20.
  • O indicador Cepea aponta R$ 347,70 para a arroba em São Paulo na mesma data.
  • Contratos futuros de outubro, novembro e dezembro estabeleceram recordes acima de R$ 370.
  • A previsão de que a arroba possa chegar a R$ 400, com base no mercado atual, é considerada possível por especialistas.
  • Os Estados Unidos compraram 31,3 mil toneladas de carne em agosto, aumento de quase 390% em relação a agosto de 2025.

Fontes

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