Economia

Indústria brasileira de soja deve atingir processamento recorde em 2026, revelam projeções

Em apuração ?

Volume esperado ultrapassa o recorde de 2025 e indica mudanças na destinação da safra brasileira

Grãos de soja sendo processados em fábrica brasileira
Imagem: CNN Brasil

Segundo levantamento da Abiove, o processamento de soja no Brasil deve alcançar 63,5 milhões de toneladas em 2026, consolidando uma tendência de aumento. Apesar do crescimento na fabricação de derivados, as exportações de grãos permanecem altas, mas com alterações na distribuição dos destinos.

Um relatório divulgado pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) nesta sexta-feira (18.09) mostra que a indústria brasileira de soja deverá processar um volume recorde de 63,5 milhões de toneladas em 2026, ultrapassando o recorde de 58,5 milhões de toneladas registrado em 2025. Esta projeção indica um crescimento de aproximadamente 8,5% em relação ao ano anterior e reforça o papel do Brasil como um dos maiores processadores mundiais da oleaginosa.

Segundo a mesma fonte, a estimativa de produção de soja para o próximo ano permanece em 180,46 milhões de toneladas, enquanto a previsão de exportação de grãos foi ajustada de 115,4 milhões para 115 milhões de toneladas. Essa leve redução na exportação de soja em grão sugere uma mudança na composição da safra brasileira, com maior foco na transformação do grão no país, produzindo derivados como óleo e farelo, que agregam mais valor à cadeia produtiva.

O relatório também aponta que, até agosto, as exportações totais de soja do Brasil somaram 92,79 milhões de toneladas, um aumento de cerca de 7% em comparação ao mesmo período de 2025, que registrou 86,53 milhões. Apesar do crescimento, a China, principal destino das vendas brasileiras, reduziu suas compras de 85,43 milhões para 64,75 milhões de toneladas, o que pode indicar uma dispersão maior na demanda de outros mercados. Nesse cenário, países asiáticos fora da China, a União Europeia e outros compradores aumentaram suas aquisições, refletindo uma diversificação na rota do comércio exterior brasileiro de soja.

Outro aspecto destacado pela Abiove é que a produção de óleo de soja em bruto deve alcançar aproximadamente 12,80 milhões de toneladas em 2026, com exportações estimadas em 1,80 milhão de toneladas, um crescimento de 36% em relação às 1,32 milhão de 2025. Nos primeiros oito meses do ano, os embarques do óleo cresceram 42%, impulsionados principalmente pela Índia, que aumentou suas compras em 56% e hoje responde por 70% das importações brasileiras do derivado. Os estoques finais de óleo, por sua vez, devem registrar uma leve redução, passando de 836 mil para 786 mil toneladas, indicando que o mercado externo vem absorvendo melhor essa produção, mesmo com volumes maiores de exportação.

Embora algumas informações ainda aguardem confirmação oficial, a tendência apontada pelo levantamento reforça uma transformação na dinâmica do complexo soja brasileiro, que passa a valorizar ainda mais os produtos derivados e diversificar seus mercados de destino, com impactos visíveis na economia do país e na cadeia de exportação de um dos principais commodities nacionais.

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O que sabemos?

  • Projeção de processamento de soja em 2026 é de 63,5 milhões de toneladas, recorde.
  • Exportações de soja em grão estimadas em 115 milhões de toneladas para 2026, com leve redução.
  • Demanda internacional por derivados, especialmente óleo de soja, apresenta crescimento, especialmente na Índia.
  • Diversificação dos mercados de exportação além da China, incluindo maior participação de países asiáticos e União Europeia.

Fontes

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