Banco do Japão eleva juros para o maior nível em três décadas e impacto no iene chama atenção
Decisão sinaliza mudança de estratégia do Banco Central japonês em resposta à inflação e ao cenário internacional
O Banco do Japão aumentou sua taxa de juros para 1,25%, um pico em 31 anos, buscando controlar a inflação. Apesar do movimento, o iene continuou a se desvalorizar, refletindo dúvidas do mercado.
Na última sexta-feira (18), o Banco do Japão anunciou uma decisão que chamou a atenção do mercado financeiro: elevou a taxa de juros para 1,25%, o maior nível em 31 anos. Segundo fontes da instituição financeira, essa mudança faz parte de uma nova fase na política monetária do país, voltada a evitar que a inflação, que em agosto desacelerou para 1,7%, ultrapasse sua meta. O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, explicou em coletiva que o foco passou a ser proteger a economia de um excesso de inflação, uma mudança em relação à estratégia anterior de impulsionar os preços.
Essa elevação do juros foi aprovada por sete votos contra dois, já era esperada por analistas devido ao cenário de alta nos preços da energia e à fragilidade do iene, que chegou ao seu menor valor em duas semanas. Além disso, a alta dos juros nos Estados Unidos e na União Europeia contribuiu para a pressão por parte dos investidores, que temem que a tendência de aumento dos custos de empréstimo possa impactar a economia local.
Apesar do aumento nas taxas, o valor do iene não reagiu positivamente e terminou a semana em seu nível mais baixo em duas semanas. A decisão do banco central vem num momento em que a alta dos preços do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, mantém a pressão inflacionária no país. Segundo especialistas ouvidos pela fonte, a expectativa é de que novas elevações de juros possam ocorrer, dependendo da evolução do cenário econômico e da inflação.
Os mercados de ações na Ásia fecharam em alta após a decisão, influenciados também pelo recuo no preço do petróleo, enquanto o custo de capital permanece elevado para empresas e consumidores no Japão. Ainda não há confirmação se essa política mais restritiva trará resultados mais rápidos na estabilização do valor do iene ou se terá efeitos colaterais na economia doméstica, que já convive com o desafio de manter a inflação próxima da meta. O Banco do Japão não se pronunciou oficialmente sobre possíveis próximas movimentações, deixando o mercado atento às próximas semanas.
Especialistas alertam que, se a inflação voltar a ultrapassar os 2%, o impacto negativo na economia japonesa poderá ser sentido, especialmente na retomada de investimentos e no consumo interno. Assim, o cenário indica que o banco central japonês abriu uma fase mais rígida, com risco de novos aumentos na taxa de juros, numa tentativa de equilibrar o combate à inflação sem prejudicar o crescimento econômico.
O que sabemos?
- O Banco do Japão elevou a taxa de juros para 1,25% em 18 de setembro.
- Foi a primeira vez em 31 anos que a taxa atingiu esse nível.
- A decisão foi aprovada por sete votos contra dois.
- A inflação em agosto foi de 1,7%, desacelerando após alta.
- O iene caiu ao menor valor em duas semanas, não reagindo à alta de juros.
Fontes
- CNN Brasil imprensa
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa




