Economia

Indústria brasileira de café solúvel projeta recorde de exportações em 2026, mas preocupa-se com custos futuros

Em apuração ?

Setor aposta em crescimento no mercado externo e interno, embora riscos no horizonte possam afetar competitividade

Fábrica de café solúvel com sacos de produto na prateleira
Imagem: CNN Brasil

A indústria brasileira de café solúvel revela otimismo com previsão de recorde em exportações e consumo interno em 2026, impulsionada por expansão na Europa e EUA. Entretanto, alerta para possíveis dificuldades econômicas no próximo ano devido a mudanças fiscais.

Segundo fontes da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), a indústria nacional de café solúvel está trilhando um caminho promissor em 2026, com perspectivas de alcançar um recorde tanto em volumes exportados quanto no consumo interno. Dados até agosto deste ano mostram que, somente nesse período, o setor exportou 65,3 mil toneladas, um aumento de 12,8% em relação ao mesmo período de 2025, além de registrar um consumo interno de 19,7 mil toneladas, crescendo 11,9% na mesma comparação. A própria entidade aponta que, exceto por janeiro, todos os meses de 2026 têm igualado ou superado os volumes de exportação do ano passado, demonstrando um ritmo acelerado de crescimento.

O desempenho positivo é especialmente atribuído ao fortalecimento de mercados na Europa, principal destino do produto brasileiro quando considerado como um bloco, que já comprou 13,1 mil toneladas até agosto, um aumento de 44,2%. Segundo a Abics, a entrada em vigor do Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia, em 1º de maio, deve impulsionar ainda mais a presença do café brasileiro na região.

Nos Estados Unidos, o maior importador individual do produto, o cenário é de recuperação parcial. Ainda há uma queda acumulada de 6,1% nos embarques em relação a 2025, porém, os dados indicam uma recuperação no último mês, agosto, com uma alta de 86,8% na comparação anual, o que marca o primeiro mês completo após a retirada de uma tarifa que prejudicava as exportações, conhecida como tarifaço. Segundo Aguinaldo Lima, diretor executivo da Abics, essa tendência de recuperação deve continuar até o fim do ano, sustentando a expectativa de que o Brasil possa alcançar um desempenho histórico tanto em exportações quanto no consumo interno do café solúvel.

Entre os produtos, há destaque para o aumento no consumo interno: o tipo spray dried cresceu 11,7%, enquanto o freeze dried teve uma expansão mais expressiva de 13,3%. Essa última categoria, de maior valor agregado, mostra potencial para avanços futuros, embora os percentuais isoladamente não indiquem uma mudança radical no perfil de preferência do consumidor. Lima reforça que o crescimento deve-se aos investimentos em produção e ao lançamento de novos produtos pelas indústrias, o que deve fortalecer ainda mais o setor. No entanto, ele ressalta que, apesar desse otimismo, o principal desafio do setor reside na estrutura de custos, que pode impactar negativamente o crescimento em 2027, principalmente se certas mudanças fiscais não forem revertidas ou negociadas.

Apesar do otimismo, fontes da CNN Brasil informaram que ainda não há confirmação oficial sobre planos futuros ou mudanças concretas na política fiscal que possam afetar o setor, e o setor não se pronunciou oficialmente sobre possíveis impactos. Assim, embora o clima seja de esperança e crescimento, as indústrias continuam atentas às mudanças no cenário econômico e tributário, que podem alterar o ritmo desse desempenho recorde esperado para o próximo ano.

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O que sabemos?

  • Indústria brasileira de café solúvel projeta recorde de exportações e consumo interno em 2026.
  • Até agosto, setor exportou 65,3 mil toneladas, aumento de 12,8% em relação a 2025.
  • Consumo interno chegou a 19,7 mil toneladas, crescimento de 11,9%.
  • Exportações para a Europa aumentaram 44,2%, totalizando 13,1 mil toneladas até agosto.
  • Augusto foi o primeiro mês com alta de 86,8% nas exportações para os EUA após retirada do tarifaço.
  • Produtos de maior valor agregado, como o freeze dried, cresceram mais que outros, indicando potencial de avanço.
  • Principal preocupação do setor é a possível elevação de custos em 2027 devido a mudanças fiscais, ainda não confirmadas.

Fontes

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