IBGE considera incluir mercado de drogas ilícitas no cálculo do PIB brasileiro
Mudança visa refletir a verdadeira dimensão da economia, incluindo atividades ilegais
O IBGE está estudando a possibilidade de inserir estimativas sobre a comercialização de drogas ilícitas na economia nacional, como parte de uma revisão que deve ser concluída em 2028.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma análise inédita está sendo realizada para que o mercado de drogas ilícitas possa ser considerado oficialmente no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Ainda não há confirmação oficial de que essa inclusão será definitiva, mas o objetivo é que, na próxima revisão das contas nacionais, prevista para 2028, essa estimativa seja incorporada ao sistema de contabilidade econômica do país.
De acordo com o que foi divulgado pela própria fonte, essa mudança não significa que o tráfico de drogas passará a ser uma atividade legal ou reconhecida oficialmente como tal. Segundo o IBGE, a iniciativa busca apenas estimar uma atividade que, embora ilegal, movimenta uma quantidade significativa de dinheiro no mercado. Essa abordagem busca evitar distorções nas estatísticas econômicas do país, especialmente na análise de gastos, renda e poupança das famílias.
Historicamente, países como Reino Unido, França, Alemanha e Holanda já adotaram metodologias similares. Desde 2014, o Reino Unido, por exemplo, passa a incluir estimativas sobre atividades ilegais, incluindo drogas, nas suas Contas Nacionais, reconhecendo que esses mercados movimentam recursos que devem ser considerados para uma avaliação mais precisa da economia. O IBGE começou a discutir essa possibilidade em 2019, realizando uma primeira estimativa-teste em 2021, e informou que os estudos continuam em andamento.
O cálculo do tamanho desse mercado, segundo fontes, não se baseia na quantidade de drogas apreendidas pela polícia, que é uma métrica insuficiente. Em vez disso, a metodologia internacional recomenda partir da demanda, ou seja, estimar quanto de drogas é consumido pela população, uma tarefa complexa, já que o mercado ilegal não possui registros oficiais confiáveis. É esse consumo estimado que ajudará a calcular o valor total de circulação de dinheiro, mesmo que de forma presumida.
Além de drogas, o IBGE também faz referência a atividades ilícitas como prostituição e contrabando, atividades essas que, segundo fontes internacionais, fazem parte do escopo de estudos sobre economia ilegal. Contudo, ainda não há confirmação de que o governo brasileiro ou o IBGE irão incluir essas outras atividades na sua metodologia, ou se a prioridade será somente o mercado de drogas ilícitas.
O que sabemos?
- O IBGE prepara uma estimativa para incluir o mercado de drogas ilícitas no PIB.
- A mudança faz parte de uma revisão periódica do Sistema de Contas Nacionais, prevista para 2028.
- O método não considera a legalidade da atividade, mas a sua presença econômica.
- Outros países, como Reino Unido e alguns na Europa, já adotam metodologia semelhante.
- A estimativa demandará análise do consumo, não da quantidade apreendida.
Fontes
- G1 imprensa




