Governo projeta recorde de arrecadação em 2026, atingindo R$ 3,24 trilhões
Expectativa confirma crescimento histórico na receita do governo federal, impulsionado por receitas de petróleo e ajustes fiscais
O governo federal prevê uma receita recorde de R$ 3,24 trilhões em 2026, um aumento de 23,7% do PIB, conforme a proposta de orçamento enviada ao Congresso. A expectativa de superávit também chamou atenção.
De acordo com a proposta de orçamento enviada ao Congresso Nacional nesta semana, o governo federal estima arrecadar um total de R$ 3,24 trilhões em 2026, um número que representa 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Segundo fontes ligadas à equipe econômica, esse valor é o maior já registrado na história da série oficial, que começa em 1997, e reflete um crescimento contínuo na arrecadação de receitas.
Para o próximo ano, a previsão é de uma ligeira queda na proporção do PIB, com as receitas estimadas em R$ 3,46 trilhões, o que equivale a 23,4% do PIB. Ainda assim, o montante previsto reforça a tendência de aumento anual na arrecadação, principalmente impulsionada por receitas oriundas da exploração de petróleo, cuja arrecadação deve atingir R$ 172,1 bilhões, ou 1,3% do PIB — aumento significativo em comparação aos R$ 139,3 bilhões previstos para 2025, que corresponde a 1,1% do PIB. Essa alta na arrecadação de petróleo é atribuída ao aumento do preço do produto no mercado externo, motivado pelas tensões no Oriente Médio e a volta de ataques entre Irã e EUA, ainda não confirmada oficialmente, mas considerada uma possibilidade pelos analistas.
Segundo fontes do governo, além dos ganhos com a exploração de petróleo, as receitas federais também se beneficiam de ajustes internos, como o aumento na tributação de fundos de alta renda, empresas offshore e mudanças na tributação de incentivos concedidos por estados. O governo também mantém uma política de aumento gradual na tributação de produtos como combustíveis, além de reonerar impostos sobre juros, importação de bens e outros setores considerados estratégicos. Essas medidas visam equilibrar as contas públicas, que mesmo apresentando crescimento na arrecadação, continuam enfrentando déficits e pressão por altas despesas, especialmente após a aprovação da PEC da transição, que elevou em cerca de R$ 170 bilhões os gastos anuais previstos nos orçamentos públicos.
Analistas e especialistas em economia têm manifestado preocupação com a trajetória das contas públicas, destacando que a alta nas receitas, embora relevante, ainda não é suficiente para conter os déficits. Segundo eles, o aumento constante na dívida pública e na taxa de juros pode pressionar ainda mais o economia brasileira, levando a debates sobre a necessidade de cortar gastos e implementar reformas estruturais para garantir sustentabilidade fiscal no médio e longo prazo. Ainda não há, até o momento, confirmações oficiais sobre possíveis mudanças concretas nestas políticas, e o próprio governo não se pronunciou a respeito das medidas específicas a serem adotadas para esse cenário.
Essa projeção recorde ocorre em um contexto de crescimento na carga tributária do país, que atingiu 32,1% do PIB em 2024, segundo dados da Receita Federal, sendo que a arrecadação total do governo, considerando tributos, royalties, dividendos e concessões, foi de aproximadamente 21,4% do PIB ao longo dos últimos 29 anos, segundo o Tesouro Nacional. A expectativa é que, mesmo com as receitas crescendo, os desafios fiscais permaneçam, principalmente diante da alta nos preços internacionais de commodities e das despesas elevadas, que continuam demandando ajustes contínuos na política econômica.
O que sabemos?
- Governo projeta arrecadação total de R$ 3,24 trilhões em 2026.
- Valor representa 23,7% do PIB, maior da série histórica desde 1997.
- Expectativa de superávit de R$ 18,6 bilhões no próximo ano.
- Receita de petróleo deve atingir R$ 172,1 bilhões em 2026, impulsionada pelo preço externo.
- Projeções indicam crescimento na arrecadação em relação a 2025, apesar de desafios fiscais.
Fontes
- G1 imprensa


