Países europeus transferem suas reservas de ouro da América do Norte em meio à instabilidade global
Holanda, França e Alemanha relocam parte de seus ativos para centros de armazenamento mais estratégicos, reforçando precauções diante do cenário internacional.
Recentemente, alguns países europeus decidiram mover suas reservas de ouro de instituições norte-americanas para centros de armazenamento na Europa. Segundo fontes, a mudança visa aumentar a resiliência financeira e preparar-se para possíveis crises.
Nos últimos meses, o banco central da Holanda confirmou ter transferido cerca de 86 toneladas de ouro de locais nos Estados Unidos e Canadá para o Reino Unido, especificamente para Londres. Segundo a instituição, essa medida visa deixar suas reservas "mais bem preparadas para crises graves" e garantir que o metal precioso esteja "prontamente disponível em situações de emergência". A troca ocorreu entre março e agosto deste ano, e o motivo alegado foi o cenário de aumento da "instabilidade geopolítica" que tem marcado o momento global.
Segundo fontes, a quantidade de ouro transferida representa aproximadamente 27% do total armazenado pelo país na América do Norte, que é de cerca de 313 toneladas, o que levanta questionamentos sobre as estratégias de gerenciamento de reservas internacionais. Ainda de acordo com a fonte, Londres foi escolhida por ser um dos principais centros mundiais de negociação de ouro, onde fica o Banco da Inglaterra, responsável por sustentar aproximadamente 400 mil barras de ouro avaliadas em mais de 200 bilhões de libras.
Outros países europeus também têm adotado movimentações similares. A França, por exemplo, repatriou suas reservas de ouro que estavam nos Estados Unidos, levando-as de volta para a França. O banco central alemão, por sua vez, transferiu mais de 216 toneladas de seu ouro acumulado no exterior — 111 toneladas de Nova York e 105 de Paris — ao longo dos últimos anos, até o fim de 2016. Analistas do setor explicam que essas ações geralmente são motivadas por decisões estratégicas de diversificação de reservas e pelo desejo de maior controle sobre os ativos financeiros.
O estrategista sênior do World Gold Council, Joseph Cavatoni, destacou à BBC que, embora guerras e tensões comerciais possam ter influenciado essas movimentações, essas não seriam as razões principais. Segundo ele, fatores como inflação, variações nas taxas de juros e a necessidade de manter o ouro em locais de fácil acesso também pesaram na decisão. “Não vejo uma crise iminente, mas vejo que os responsáveis pela gestão de reservas estão adotando uma postura mais cautelosa e informada”, afirmou Cavatoni.
Por ora, o De Nederlandsche Bank, banco central da Holanda, afirmou que o ouro que saiu dos Estados Unidos e do Canadá agora fica sob custódia do Banco da Inglaterra, em Londres. O presidente do banco, Olaf Sleijpen, declarou que o objetivo é fortalecer a resiliência do país, mesmo sem a expectativa de precisar utilizá-lo em uma emergência. Ainda assim, a decisão evidencia uma preocupação crescente com a localização dos ativos estratégicos diante do atual cenário mundial, marcado por conflitos e incertezas econômicas.
O que sabemos?
- Holanda transferiu aproximadamente 86 toneladas de ouro para Londres entre março e agosto de 2023.
- O ouro transferido representou parte das reservas do país, que totalizam cerca de 313 toneladas.
- Outros países europeus, como França e Alemanha, têm também movimentado suas reservas de ouro do exterior para centros na Europa.
- Analistas dizem que essas ações são estratégias de diversificação de reservas e preparação para crises, não necessariamente indicativos de uma ameaça iminente.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa



