Economia

Desigualdade no Brasil: crescimento da concentração de renda e poder revela novos desafios

Em apuração ?

Estudo da Oxfam aponta que 1% mais rico do país detém quase um quarto da renda e sobre influência política

Gráfico ilustrando concentração de renda e patrimônio no Brasil
Imagem: G1

Segundo uma pesquisa divulgada pela organização internacional, apesar de melhorias sociais, a desigualdade de riqueza no Brasil continua elevada. O relatório destaca que o topo da pirâmide controla grande parte da renda e do poder político.

Um estudo divulgado pela Oxfam Brasil revelou que a desigualdade social no país permanece altamente concentrada, mesmo com avanços em indicadores sociais nas últimas décadas. Segundo o relatório 'Um Retrato das Desigualdades Brasileiras', o 1% mais rico do Brasil concentrou 24,3% de toda a renda do país em 2023 e possui 37,3% da riqueza declarada, números que sinalizam uma persistente concentração de recursos e influência.

De acordo com a pesquisa, atualmente, o 1% mais rico recebe o equivalente a 36,2 vezes a renda dos 40% mais pobres, uma redução em relação ao início da série histórica em 2012, mas ainda um índice bastante elevado. A diretora-executiva da organização, Viviana Santiago, comentou que “os avanços na redução da pobreza são importantes, mas insuficientes para combater a principal questão: a forte concentração de riqueza na elite”.

O relatório ainda aponta que, entre 2017 e 2023, a fatia da renda nacional controlada pelo 1% mais rico cresceu de 20,4% para 24,3%, um aumento de 4 pontos percentuais. A maior parte desse crescimento — cerca de 85% — ficou concentrada no 0,1% mais rico, enquanto metade do avanço foi apropriada pelo 0,01% da população mais endinheirada. Ainda segundo os dados, aproximadamente 90% dos rendimentos desses grupos vêm de lucros, dividendos e aplicações financeiras, ao invés de salários, reforçando a sua supremacia financeira.

Além da renda, a concentração de patrimônio também é significativa. Dados da Receita Federal indicam que o 1% mais rico detém 37,3% de todo o patrimônio declarado no país. Entre os 0,1% mais ricos, aproximadamente 80% do patrimônio é formado por ativos financeiros — como ações e fundos —, enquanto apenas 15% corresponde a imóveis. Essa distribuição reforça o papel crucial dos ativos financeiros na manutenção do status daqueles no topo da pirâmide.

Segundo especialistas, esses números indicam que a influência dos grupos mais ricos no Brasil vai além da questão econômica, impactando o cenário político e social de forma aprofundada, elevando o risco de perpetuação das desigualdades e dificultando avanços em políticas públicas voltadas à inclusão social. Ainda não há uma resposta definitiva sobre como combater essa questão, mas o estudo reforça a necessidade de atenção contínua às políticas de redistribuição de renda e de democratização do acesso ao poder.

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O que sabemos?

  • O 1% mais rico do Brasil concentrou 24,3% da renda em 2023.
  • Esse grupo detém 37,3% do patrimônio declarado.
  • Entre 2017 e 2023, a fatia da renda dos mais ricos cresceu de 20,4% para 24,3%.
  • Cerca de 90% dos rendimentos do 0,1% mais rico vêm de lucros e aplicações financeiras.

Fontes

  • G1 imprensa
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