Imensa concentração de riqueza no Brasil é destaque em novo estudo da Oxfam
Relatório revela que os mais ricos controlam quase 40% da riqueza do país, enquanto grupos excluídos seguem sub-representados
A recente pesquisa da Oxfam aponta que a desigualdade brasileira vai além das diferenças de renda, evidenciando uma forte concentração de poder econômico e político nas mãos do 1% mais rico. Dados oficiais mostram crescimento da renda e patrimônio entre os mais privilegiados, enquanto a maioria da população permanece à margem.
Segundo a organização internacional Oxfam, a desigualdade no Brasil continua a evoluir, com os dados mais recentes ilustrando uma concentração de riqueza e poder cada vez maior nas mãos do topo da pirâmide social. O relatório, divulgado no mês passado, aponta que em 2023 o 1% mais rico do país detém aproximadamente 37,3% de toda a riqueza declarada, além de ter concentrado 24,3% da renda nacional, o que representa crescimento comparado ao período de 2017 a 2023.
Para chegar a essas conclusões, a pesquisa utilizou dados do IBGE, da Receita Federal, do Ministério da Fazenda e do Tribunal Superior Eleitoral, além de estudos internacionais. Os números mostram que, atualmente, o 1% mais rico recebe cerca de 36 vezes a renda das 40% mais pobres, uma melhora em relação ao início da série histórica de 2012, mas que ainda evidencia uma enorme disparidade social.
Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil, comentou que os avanços na redução da pobreza são importantes, porém insuficientes para diminuir a desigualdade estrutural. "A pobreza é metade da conversa. A desigualdade é sobre a relação entre quem tem muito e quem tem pouco. O Brasil avançou na redução da pobreza, mas ainda não enfrenta o principal problema, que é a intensa concentração de riqueza no topo", declarou.
O estudo também reforça que grande parte da renda do grupo mais rico vem de lucros, dividendos e aplicações financeiras, com cerca de 90% desses rendimentos sendo provenientes dessas fontes, em contraste com a maior parte da população, cuja renda advém principalmente de salários. Além disso, cerca de 80% do patrimônio dos 0,1% mais ricos é formado por ativos financeiros, como ações e fundos, enquanto imóveis representam apenas 15%. Esses números reforçam o quadro de concentração de riqueza e o poder político e econômico que ela confere a esse grupo.
Embora os indicadores sociais tenham melhorado nos últimos anos, o relatório alerta que esses avanços não têm sido suficientes para desafiar a estrutura de desigualdade que perpetua diferenças profundas na sociedade brasileira. Ainda não confirmado oficialmente, esse cenário preocupa especialistas e movimentos sociais que veem na concentração de renda uma ameaça à democracia e à inclusão social.
O que sabemos?
- Em 2023, o 1% mais rico concentrou 24,3% da renda total do Brasil.
- Os 10% mais ricos detêm 52% de toda a renda declarada, segundo dados da Receita Federal.
- A renda do top 1% cresceu, em média, 4,4% ao ano entre 2017 e 2023.
- Cerca de 90% dos rendimentos do grupo mais rico vêm de lucros, dividendos e aplicações financeiras.
- O patrimônio do 1% mais rico representa 37,3% do total declarado no país.
Fontes
- G1 imprensa



