Aumento na formalização de trabalhadores autônomos no Brasil chega a novo recorde
Percentual de profissionais com CNPJ no mercado formal ultrapassa 27% pela primeira vez, impulsionado pelo crescimento de microempreendedores individuais
Dados do IBGE mostram que o número de brasileiros que trabalham por conta própria no mercado formal atingiu 27,1% em 2025, maior percentual da série histórica, com setor de comércio e serviços liderando este avanço.
Segundo dados divulgados pelo IBGE, o percentual de brasileiros que trabalham por conta própria no mercado formal atingiu um recorde na história da pesquisa, passando de 15% em 2012 para 27,1% em 2025. O levantamento destaca que, entre aqueles com nível superior, mais da metade possui registro formal, um avanço importante na tentativa de reduzir a informalidade no país.
Segundo uma fonte do estudo, a formalização de trabalhadores autônomos é maior nos setores de comércio e serviços, enquanto permanece mais baixa na agricultura e na construção civil. Ainda de acordo com o IBGE, essa tendência de crescimento é atribuída ao fortalecimento do modelo de negócio conhecido como Microempreendedor Individual (MEI), criado para estimular a formalização e combater a informalidade que ainda predomina no mercado de trabalho brasileiro.
Um dos motivos apontados pela economista Janaína Feijó, da Fundação Getúlio Vargas, é que a mudança nas modalidades de contratação e o incentivo ao cadastro no CNPJ têm feito com que muitos trabalhadores busquem sair do vínculo CLT tradicional, de 40 horas semanais, optando pelo MEI. A especialista ressalta que, embora o crescimento seja positivo, esse processo ainda ocorre de forma lenta, dado que a informalidade no país ainda continua elevada.
Para quem trabalha por conta própria, como Natasha da Silva Gonçalves, que é manicure e abriu seu próprio negócio após anos atuando em salões, a autonomia veio acompanhada de necessidade de organização. Ela afirmou que “é preciso cativar o cliente, organizar a vida profissional e declarar os impostos”. Segundo ela, a liberdade conquistada com o CNPJ só pode ser usufruída com disciplina e planejamento.
O movimento de formalização de autônomos e microempreendedores é considerado uma mudança importante na economia brasileira, refletindo uma busca por mais segurança jurídica e melhores condições de trabalho. Ainda assim, a fonte do IBGE destaca que 65% dos empregadores e autônomos no país ainda não possuem CNPJ, reforçando que a transição para o mercado formal está em andamento, mas não concluída.
Questionamentos sobre o impacto da popularização do home office aparecem na discussão, com relação ao futuro do mercado de trabalho. No entanto, ainda não há dados conclusivos que confirmem uma mudança definitiva na rotina dos profissionais brasileiros ou seja, se a era do trabalho remoto acabou ou se adaptou às novas realidades da economia.
O que sabemos?
- Percentual de trabalhadores por conta própria com CNPJ subiu para 27,1% em 2025.
- Mais da metade dos trabalhadores com nível superior têm registro formal.
- Setor de comércio e serviços lidera a formalização.
- Ainda não confirmado oficialmente, crescimento permanece lento.
- A informalidade ainda é elevada, com 65% sem CNPJ.
Fontes
- G1 imprensa




