Economia

Análise aponta assimetria no repasse cambial e seu impacto na inflação brasileira

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Estudo internacional revela diferença no efeito do câmbio sobre os preços ao consumidor

Gráfico ilustrando a relação entre variações cambiais e inflação
Imagem: Folha de S.Paulo

Pesquisadores indicam que variações cambiais podem não influenciar de forma igual a inflação, agravando a discussão sobre a política econômica no Brasil.

Um estudo recente publicado em 2025 no Journal of Economic Surveys levanta uma questão importante sobre o funcionamento do câmbio e seus efeitos sobre a inflação: há, de fato, uma assimetria na forma como as variações cambiais impactam os preços ao consumidor? Segundo a análise, uma depreciação do dólar de 1% estaria responsável por um aumento de aproximadamente 0,19% nos preços ao consumidor, enquanto uma apreciação de 1% resultaria numa redução de cerca de 0,09%, menos da metade do impacto causado pela depreciação. Esses números sugerem que, no ciclo econômico, as altas no dólar tendem a gerar um efeito inflacionário maior do que as reduções, criando um resíduo inflacionário que é muitas vezes combatido pelo aumento dos juros reais, conforme explica Samuel Pessôa, professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador de pesquisa na USP.

O estudo, que analisou 72 trabalhos diferentes com 1.219 estimativas de repasse cambial em 111 países, destaca que essa assimetria não é unanimemente confirmada por todos os especialistas, embora muitos concordem com a lógica de que a inflação reage de maneira mais intensa às depreciações cambiais. Segundo Pessôa, esse fenômeno ajuda a explicar parcialmente por que os ciclos de desvalorização do real frequentemente resultam em pressões inflacionárias mais duradouras, necessidade de aumento de juros e maior volatilidade na política macroeconômica brasileira. Ainda não há um consenso absoluto na comunidade econômica, mas a discussão ganha força ao colocar em perspectiva o papel do câmbio na formação da inflação.

Para entender o impacto, o estudo tende a reforçar a ideia de que, em períodos de instabilidade cambial, o combate à inflação exige estratégias que considerem essa assimetria. Assim, as autoridades podem precisar ser mais agressivas na política monetária sempre que houver depreciação do dólar, para conter os efeitos inflacionários pronunciados. Ainda, a pesquisa reforça a necessidade de uma análise aprofundada do comportamento cambial brasileiro, que costuma apresentar ciclos de alta e queda mais intensos do que em outros países, o que contribui para a complexidade das políticas de controle de preços.

Para o público não especialista, essa discussão é fundamental, pois influencia decisões de política econômica, taxas de juros, e o poder de compra da população. Ainda aguardam confirmações oficiais de órgãos como o Banco Central e o Ministério da Economia, mas a pesquisa reforça que a relação do câmbio com a inflação pode não ser tão linear como se pensa, sendo marcada por um efeito assimétrico que demanda atenção especial dos formuladores de política pública.

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O que sabemos?

  • Estudo publicado em 2025 no Journal of Economic Surveys indica que uma depreciação de 1% no câmbio aumenta os preços em aproximadamente 0,19%.
  • A mesma análise aponta que uma apreciação de 1% reduz os preços em cerca de 0,09%, menos da metade do impacto da depreciação.
  • Pesquisadores sugerem que essa assimetria causa um resíduo inflacionário a cada ciclo do dólar, que é combatido com juros reais mais altos.
  • Ainda não há consenso absoluto na comunidade econômica sobre essa assimetria do repasse cambial.

Fontes

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