Crise econômica no Chile resulta em desemprego recorde e desaceleração da atividade mineradora
Plano de austeridade do governo provoca retração e insatisfação popular
O Chile enfrenta sua maior crise econômica em anos, com desemprego atingindo 9,6%, após medidas de ajuste fiscal implementadas pelo governo de direita radical.
Segundo fontes do setor econômico chileno, a economia do país atualmente vive seu momento mais difícil em anos, impulsionada por um programa de austeridade fiscal iniciado pelo governo do presidente José Antonio Kast. Em uma oportunidade, ainda não confirmada oficialmente, o ministro da Fazenda Jaime Quiroz falou para um grupo de empresários cristãos em Santiago, onde pediu para que eles evitassem o pessimismo, utilizando citações bíblicas e números que evidenciam uma situação econômica fragilizada. Segundo ele, os investimentos privados e públicos tiveram crescimento nulo no segundo trimestre, reflexo da queda na construção civil, setor que costuma ser um termômetro do mercado interno.
Dados recentes indicam que o desemprego atingiu 9,6%, o maior em mais de cinco anos, e a demanda interna praticamente não cresceu, agravando o cenário de desaceleração econômica. Além disso, o custo de vida subiu 4,1% em julho em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado principalmente pelo aumento no preço dos combustíveis, uma vez que o Chile importa quase toda a sua petrolífera. A mineração, setor fundamental para a economia, sofreu uma forte redução de 17,4% em agosto, atingindo seu menor nível em três décadas, o que impacta diretamente na maior exportadora de cobre do mundo.
Para tentar contornar a crise, o governo de Kast sancionou uma reforma tributária que reduziu os impostos de 27% para 23% sobre as empresas, visando estimular os investimentos privados. Além disso, anunciou um ambicioso plano de emprego no valor de US$ 1,3 trilhão, com a meta de gerar mais de 100 mil empregos até 2027. Ainda assim, a reprovação ao governo segue alta, acima de 60%, segundo pesquisas locais, refletindo um descontentamento generalizado diante da deterioração da economia e dos indicadores recentes.
O recuo do PIB nos dois primeiros trimestres do ano, com quedas de 0,5% e 0,2%, confirma a recessão em curso, sendo a maior desde o período da pandemia de covid-19. Essas difíceis perspectivas econômicas ocorrem em um momento de forte insatisfação popular e de questionamentos sobre as políticas adotadas pelo governo de direita radical, que prometia reativar os investimentos e o emprego, mas enfrenta hoje uma realidade bem diferente.
Analistas alertam que, enquanto o Chile tenta buscar uma saída para a crise, a maior preocupação é com o impacto social, em especial no desemprego e no custo de vida, fatores que pressionam a população e podem perpetuar a instabilidade econômica no país nos próximos meses.
O que sabemos?
- O desemprego no Chile atingiu 9,6%, maior em mais de cinco anos.
- A economia sofreu retração de 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo.
- O custo de vida aumentou 4,1% em julho, impulsionado pelo aumento do preço dos combustíveis.
- A mineração caiu 17,4% em agosto, atingindo o menor nível em três décadas.
- Governo de Kast sancionou uma reforma tributária reduzindo impostos de 27% para 23%.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa
- G1 imprensa




