Economia

Candidatos propõem políticas de crédito que podem impactar juros no Brasil

Informações checadas ?

Discussões sobre expansão de empréstimos levantam questões sobre a oferta e os efeitos na economia

Gráfico ilustrando aumento da demanda de crédito versus oferta de dinheiro
Imagem: Folha de S.Paulo

Debates eleitorais trazem propostas de ampliação do crédito, mas especialistas alertam para possíveis efeitos adversos, como aumento de juros.

Durante as campanhas políticas, os principais candidatos têm defendido planos de expansão do crédito, alegando serem medidas que beneficiariam a economia do Brasil. Segundo fontes próximas às propostas, o presidente Lula, em entrevista à Globo na semana passada, afirmou que defende a 'maior política de crédito que o país já conheceu'. Flávio Bolsonaro e sua assessora Daniella Marques, por sua vez, também apresentam propostas similares, com enfoque no uso da Caixa Econômica Federal como principal instrumento de apoio às políticas de crédito. No entanto, o especialista em economia por Yale e professor da FGV EESP explica que, para que essas políticas realmente ampliem a quantidade de crédito disponível, é necessário que a oferta também aumente. Ele esclarece que a oferta de crédito depende de fatores como o dinheiro poupado pelas famílias, a poupança do governo (diferença entre impostos recolhidos e gastos) e o volume de empréstimos internacionais, conforme fontes do setor financeiro.

O que muitos ainda não sabem é que estimular a demanda por crédito, como fazem os candidatos, não garante automaticamente uma maior oferta do mesmo. Um exemplo simplificado dado pelo economista é o de uma compra de quadros de artistas famosos, como Tarsila do Amaral. Apesar de uma eventual campanha de estímulo à aquisição dessas obras elevar a demanda, a oferta, que seria o número de quadros disponíveis, não aumenta. Assim, os preços sobem, mas a quantidade permanece a mesma. Analogamente, na economia, se a oferta de crédito não reagir ao aumento da demanda, isso tende a gerar uma elevação nos juros, que é o custo do crédito para quem toma empréstimos. Portanto, a proposta de ampliar gastos e concessões de empréstimos pode, na prática, contribuir para uma alta nos juros, caso a oferta de recursos não seja suficiente para atender à demanda extra, alertam os especialistas presentes na análise.

Essa relação causa e efeito foi destacada por fontes da área econômica, que destacam que o aumento dos juros também está relacionado ao que o Brasil consegue emprestar do exterior, além da poupança interna. Ou seja, para que as políticas de crédito sejam realmente eficientes e não prejudiquem a estabilidade financeira, é preciso que haja uma resposta na oferta de dinheiro disponível, o que ainda não foi oficialmente confirmado como parte das propostas dos candidatos. Assim, a discussão continua no âmbito político e econômico, enquanto especialistas avaliam os possíveis efeitos de uma maior expansão do crédito na economia brasileira.

Segundo fontes do setor financeiro, a expectativa de que essas propostas possam elevar os juros no país ainda é uma hipótese a ser confirmada, já que diversos fatores macroeconômicos influenciam essa dinâmica. Ainda que os discursos políticos apostem na valorização do crédito como ferramenta de crescimento, especialistas reforçam a necessidade de equilibrar oferta e demanda para evitar impactos negativos, como o aumento descontrolado das taxas de juros ou a inadimplência. Assim, enquanto o debate permanece em aberto, o cenário econômico brasileiro mostra que qualquer mudança na política de crédito deve ser acompanhada de uma análise cuidadosa das respostas do mercado financeiro, que é fundamental para o bom funcionamento do sistema econômico.

Publicidade

O que sabemos?

  • As propostas dos candidatos para ampliar o crédito podem levar a juros maiores.
  • A oferta de crédito depende do dinheiro poupado pelas famílias, governo e empréstimos do exterior.
  • Incrementar a demanda por crédito sem aumentar a oferta pode resultar em juros elevados.

Fontes

Publicidade