Economia

China mantém cautela na América Latina após o primeiro turno eleitoral no Brasil

Em apuração ?

Especialistas analisam impacto da eleição brasileira nas relações comerciais com Pequim

Mapa da América Latina com destaque para relações comerciais entre China e Brasil
Imagem: G1

A postura da China diante do resultado do primeiro turno da eleição presidencial brasileira revela uma estratégia de observação e cautela, especialmente em relação ao alinhamento do Brasil com os Estados Unidos.

Segundo a especialista Larissa Wachholz, ex-assessora especial do Ministério da Agricultura, a China vem adotando uma postura de cautela ao observar a evolução das relações na América Latina, especialmente após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, que colocou o senador Flávio Bolsonaro na liderança, acima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Wachholz explicou que Pequim acompanha de perto onde seus investimentos tendem a ser bem-vindos na região, principalmente em setores estratégicos do agronegócio e infraestrutura.

A preocupação da China está ligada ao fato de os Estados Unidos considerarem a América Latina como uma área de influência própria. Segundo ela, essa percepção começou a se consolidar já no primeiro mandato de Donald Trump e se intensificou nos anos seguintes. Wachholz afirmou que, por parte dos chineses, há um receio de que um alinhamento mais forte com os EUA possa afetar seus interesses econômicos. “Eles não querem se estabelecer em locais de confronto, pois isso representa um risco muito grande. Os investimentos precisam ser sustentados por estabilidade jurídica, que é essencial para a segurança dessas operações,” detalhou a especialista, que coordena o Programa Ásia no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

Ela também destacou a importância dos investimentos chineses no Brasil para o setor do agronegócio. Segundo ela, as ações da China ajudam a superar gargalos de infraestrutura, essenciais para a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. Um exemplo apontado foi a participação da chinesa Cofco no terminal STS11, no Porto de Santos (SP), utilizado na exportação de produtos agrícolas, além da ampliação das instalações de contenção de contêineres refrigerados no porto de Paranaguá (PR), controlado pela chinesa China Merchants Port. Esses investimentos facilitam a exportação de carnes e outros alimentos congelados, que precisam de transporte refrigerado eficiente. Wachholz afirma que, para manter esses investimentos, o Brasil deve sinalizar positivamente para a China, evitando qualquer atitude que possa ser interpretada como confronto ou instabilidade.

Ela reforçou que, mesmo com a possibilidade de um governo mais alinhado aos Estados Unidos, não há indicação de que o Brasil deva se afastar do relacionamento com Pequim. Segundo ela, a relação econômica deve se manter pragmática, permitindo ao Brasil fortalecer parcerias com ambos os lados sem prejuízo aos interesses nacionais. Ainda não há, oficialmente, um posicionamento do governo brasileiro sobre as futuras estratégias de relação internacional, mas especialistas avaliam que a continuidade de relações equilibradas será importante para o setor do agronegócio brasileiro, que depende de estabilidade para investir.

A participação da China na infraestrutura portuária brasileira, sobretudo em operações que envolvem exportação de commodities agrícolas, mostra-se fundamental para a competitividade do produto final. Essa estratégia de cautela de Pequim se dá, sobretudo, pelo entendimento de que a estabilidade política e jurídica do Brasil é vital para a segurança de seus investimentos e para a manutenção de uma relação comercial vantajosa. Ainda que o cenário político interno possa evoluir, não há sinais de que a China esteja alterando sua postura de observação e análise dos riscos e benefícios associados às suas operações no país.

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O que sabemos?

  • A China observa com cautela o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras.
  • Pequim avalia onde seus investimentos na América Latina são bem-vindos.
  • Investimentos chineses ajudam a superar gargalos de infraestrutura no Brasil.
  • Exemplo: participação da Cofco no terminal de Santos e ampliação de contêineres refrigerados em Paranaguá.
  • Especialista acredita que o Brasil deve manter relações com Washington e Pequim simultaneamente.

Fontes

  • G1 imprensa
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