Tecnologia da Unicamp transforma goma de cajueiro em potencial industrial
Pioneira, inovação pode ampliar uso do material no mercado e gerar novas oportunidades para cultivo do caju
Pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma técnica que modifica fisicamente a goma extraída do caule do cajueiro, aumentando sua aplicação como emulsificante em diversos setores.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriu uma nova forma de utilizar a goma do cajueiro, uma planta típica do Nordeste brasileiro, que pode transformar o cultivo do caju em uma atividade ainda mais rentável. Segundo informações de uma fonte da própria universidade, o estudo revela um método de modificação física da goma, que melhora sua capacidade de atuar como emulsificante, funcionalidade similar à da goma arábica, amplamente usada na indústria alimentícia, cosmética e de cuidados pessoais.
De acordo com os pesquisadores, o Professor Marcelo Cristianini e a pesquisadora Bruna Castro Porto, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), desenvolveram uma técnica que altera as propriedades da goma do caule do caju sem promover uma mudança química na molécula. Segundo Cristianini, essa abordagem aprimora a atuação da goma como emulsificante, potencializando sua aplicação em diferentes produtos, especialmente em itens de cosmética, como shampoos e condicionadores para cabelos cacheados. Ainda segundo ele, uma das vantagens desse procedimento é que, por não envolver transformações químicas, o produto não precisa de uma nova denominação ou de indicações específicas na rotulagem, o que pode facilitar sua entrada no mercado.
O interesse comercial na inovação é grande e uma empresa do setor de ingredientes, a Symrise, já demonstrou interesse na tecnologia. A empresa recebeu amostras para testar a goma modificada por meio de um acordo formal com a Inova Unicamp, agência de inovação da universidade. Ainda não há confirmação oficial de quais aplicações específicas a companhia está explorando, mas há possibilidades em produtos capilares, especialmente aqueles voltados para cabelos cacheados, que costumam demandar ingredientes diferenciados e mais nutritivos.
Para os pesquisadores, além do potencial de inovação, a tecnologia representa uma oportunidade econômica para a cadeia produtiva do caju no Brasil. Atualmente, a produção do fruto é focada na castanha e no pedúnculo, usado em sucos, deixando a goma do caule – que é descartada na maior parte das vezes – como uma fonte de aproveitamento pouco explorada. Conjugar a possibilidade de extrair goma do caule sem prejudicar a produção de outros derivados do caju poderia gerar uma fonte adicional de renda para agricultores locais, ampliando o valor agregado da cultura.
Por enquanto, a tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento e avaliação, aguardando validação comercial e possíveis regulamentações futuras. Ainda não há informações confirmadas sobre o lançamento de produtos ou de sua adoção definitiva pelas indústrias, mas o avanço representa um passo importante na inovação agrícola e industrial do Nordeste brasileiro, além de abrir novas perspectivas para os produtores de caju.
O que sabemos?
- Pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma técnica que modifica fisicamente a goma do cajueiro.
- A nova goma atua como emulsificante, similar à goma arábica.
- Empresa Symrise demonstrou interesse e recebeu amostras para testes.
- A inovação pode criar uma nova fonte de renda para produtores de caju.
- A tecnologia ainda está em fase de avaliação e desenvolvimento.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





