Ciência

Estudo revela rompimento de uma placa tectônica no Oceano Pacífico

Em apuração ?

A descoberta é considerada um fenômeno raro e pode indicar mudanças a longo prazo na região de Cascadia

Imagem ilustrativa de placas tectônicas em movimento sob o oceano Pacífico
Imagem: Revista Galileu

Pesquisadores de vários países identificaram, pela primeira vez em detalhes, uma placa tectônica se desintegrando no fundo do oceano. Este fenômeno, ainda em estudo, revela processos geológicos que podem durar milhões de anos.

Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu um fenômeno raro no fundo do Oceano Pacífico: o rompimento de uma placa tectônica na região de Cascadia, no noroeste da América do Norte. Segundo informações divulgadas na revista Science Advances na última quinta-feira (24), sinais de desmantelamento dessa placa estão concentrados na área, que é conhecida por sua atividade sísmica intensa devido ao movimento de subducção — quando uma placa oceânica mergulha sob a placa continental.

De acordo com a equipe liderada por Brandon Shuck, geólogo da Louisiana State University, os dados indicam que a placa está passando por um processo gradual de fragmentação, que pode perdurar por milhões de anos. Essa conclusão foi possível graças a um experimento realizado em 2021, chamado CASIE21, no qual ondas sonoras foram enviadas ao fundo do oceano e seu retorno foi registrado por equipamentos instalados em cabos que se estendem por cerca de 15 quilômetros. As imagens obtidas mostraram grandes fraturas atravessando a estrutura do fundo oceânico, indicando que partes da placa estão se rompendo.

Segundo Shuck, uma falha de aproximadamente 75 km, que ainda registra atividade sísmica, está ativamente rompendo a placa, embora esse rompimento ainda não esteja completo. 'Há uma falha muito grande que está rompendo a placa no momento, e ela ainda não se rompeu totalmente, mas está próxima disso', afirmou o geólogo. Os dados sugerem que o processo de fragmentação ocorre de forma progressiva, criando microplacas — blocos menores de crosta que se deslocam lateralmente ao longo das falhas, facilitando o isolamento de segmentos inteiros da camada oceânica.

Quando essas partes se desprendem, elas deixam de gerar terremotos, pois as rochas deixam de estar conectadas. Se uma grande porção se separa de vez, o que ocorre lentamente ao longo de milhões de anos, a estrutura que sustenta a subducção sofre alterações, podendo abrir o caminho para uma espécie de 'janela de placa', por onde material quente do manto terrestre sobe. Essa movimentação pode influenciar a produção de magma, alterando a atividade vulcânica na região. Ainda não há confirmação de que essa ruptura vá reduzir ou interromper a capacidade de Cascadia gerar grandes terremotos, mas o estudo aponta que processos semelhantes já foram observados em rochas vulcânicas antigas, indicando uma evolução natural na dinâmica da placa tectônica.

O pesquisador reforça que a descoberta ainda está em fase inicial e que o processo de fragmentação, que ocorre de forma lenta e gradual, pode levar milhões de anos. A comunidade científica aguarda novas análises e confirmações, especialmente de outras fontes e estudos, para entender melhor os impactos de uma possível separação completa da placa. Ainda assim, o fato de esse fenômeno ter sido observado em detalhes marcou uma avanço significativo na compreensão da tectônica de placas — fenômeno que, mesmo assim, ainda revela muitos mistérios que envolvem o nosso planeta.

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O que sabemos?

  • Uma equipe internacional identificou o rompimento de uma placa tectônica no Oceano Pacífico.
  • O fenômeno ocorre na região de Cascadia, no noroeste da América do Norte.
  • O processo é gradual e pode durar milhões de anos.
  • Imagens e dados de 2021 revelaram fraturas de até 75 km na placa.
  • Esse rompimento pode influenciar a atividade vulcânica na região.

Fontes

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