Ciência

Estudo revela ligação entre lateralidade e posicionamento político em países ocidentais

Em apuração ?

Canhotos tendem a se posicionar mais à esquerda, segundo pesquisa internacional

Ilustração representando mãos esquerda e direita com símbolos políticos
Imagem: G1

Uma pesquisa feita em 18 países mostra que quem usa a mão esquerda com mais frequência também costuma ter opiniões políticas mais alinhadas à esquerda. Especialistas analisaram a relação entre ser canhoto e preferências ideológicas, levantando questões sobre identidade e simbolismo.

Segundo uma análise divulgada pelo portal The Conversation Brasil, uma pesquisa internacional aponta uma possível relação entre a lateralidade — ou seja, qual mão a pessoa usa principalmente — e sua orientação política. A pesquisa, conduzida por acadêmicos, envolveu entrevistas com 1.404 pessoas de 18 países ocidentais, incluindo Estados Unidos, França, Alemanha, Itália e Espanha. O objetivo foi entender se ser canhoto influencia, ou está associado, a posições mais à esquerda no espectro político. Os participantes atribuíram-se uma nota de 0 a 10 na escala direita-esquerda, além de informar sua lateralidade.

De acordo com o estudo, as pessoas que se consideram canhotas costumam se posicionar cerca de meio ponto mais à esquerda na escala, uma diferença estatisticamente relevante. Para os pesquisadores, esse dado é interessante porque é maior do que a diferença observada entre homens e mulheres, que ficou em 0,4 ponto, por exemplo. Contudo, o estudo também revelou que, ao analisar a lateralidade com base na prática real — ou seja, qual mão a pessoa usa para escrever, usar uma tesoura, escovar os dentes ou arremessar uma bola — a associação com o posicionamento político desaparece. Isso sugere que o mais importante não é a atividade motor, mas como a pessoa percebe sua própria mão predominante.

Os autores apontam que esse efeito é mais intenso em países latinos, como França, Espanha e Itália, onde a distinção entre esquerda e direita é mais presente no debate político e simbólico. Portanto, a ligação encontrada mais parece refletir fatores de identidade e simbolismo, ligados à cultura e à construção social, do que diferenças neurológicas ou biológicas profundas. Ainda não há confirmação oficial de que essa relação seja universal ou que seja válida para todas as culturas, e o estudo destaca que há limitações na amostra, que foi feita via internet e com maior participação do Reino Unido.

Além disso, os pesquisadores ressaltam que o estudo não pretende afirmar um determinismo biológico na orientação política. Ao contrário, eles defendem que a percepção de ser canhoto, e não o uso físico concreto da mão, parece estar mais relacionada à forma como as pessoas se identificam ou se posicionam no espectro político. Assim, as implicações do estudo podem ajudar a compreender melhor fatores de identidade que influenciam opiniões e preferências ideológicas, especialmente em contextos culturais onde as distinções de esquerda e direita têm maior peso no cotidiano político.

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O que sabemos?

  • Canhotos tendem a se posicionar mais à esquerda politicamente.
  • Diferença média de cerca de meio ponto na escala política entre canhotos e destros.
  • A associação desaparece ao se medir a mão pelo uso em atividades diárias.
  • O efeito é mais pronunciado em países latinos.
  • A relação parece estar ligada à identidade e simbolismo, não a biologia.

Fontes

  • G1 imprensa
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