Pesquisa da UFPI avança no combate ao glioblastoma com nanoterapia
Estudo inédito busca melhorar tratamento de câncer cerebral agressivo usando nanotecnologia
Pesquisadores da Universidade Federal do Piauí, em parceria com a UFPB, desenvolveram uma nanoformulação que potencializa o efeito do quimioterápico temozolomida no tratamento do glioblastoma, um dos cânceres cerebrais mais agressivos.
Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em colaboração com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), apresenta resultados promissores no combate ao glioblastoma, o tipo mais comum e agressivo de câncer cerebral. Os estudos, publicados na revista científica Springer Nature, foram realizados em laboratório, em ensaios in vitro, ou seja, com células humanas em cultura. Segundo informações da equipe, o objetivo principal é desenvolver uma nanoformulação que possa direcionar melhor o efeito do quimioterápico temozolomida, amplamente utilizado no tratamento dessa enfermidade.
De acordo com o professor João Marcelo de Castro e Sousa, coordenador do projeto, a inovação está na produção de uma nanopartícula contendo temozolomida, que possui na sua superfície a molécula quitosana. Essa nanopartícula, ainda segundo ele, tem a capacidade de interagir com o tecido cerebral, aderindo às células tumorais e liberando o medicamento de forma mais direcionada. O pesquisador destacou que os estudos até agora mostraram que essa tecnologia potencializou os efeitos do tratamento em células de glioblastoma, o que pode representar uma evolução significativa na busca por terapias mais eficientes e menos invasivas.
O estudo também conta com a participação do doutorando Helber Negreiros, que explica que uma das metas é reduzir os efeitos adversos associados à quimioterapia, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Segundo Helber, a nanopartícula desenvolvida possui a molécula de quitosana na superfície, o que favorece sua interação com o tecido cerebral e aumenta a precisão na liberação do fármaco. Ainda não há confirmação de que o método seja eficaz em organismos vivos, mas os pesquisadores pretendem avançar para testes em modelos animais, fase essencial antes de futuras aplicações clínicas.
O professor João Marcelo também comentou que, nas próximas etapas, serão realizados estudos de caracterização da nanoformulação e avaliação de sua segurança e eficácia em modelos in vivo. O objetivo é que, até 2028, essa tecnologia possa estar mais próxima de uma aplicação prática que, futuramente, poderá contribuir para tratamentos mais eficazes contra esse câncer tão agressivo. Ainda não há informações oficiais sobre possíveis testes clínicos ou aprovação para uso em humanos, e a pesquisa continua na fase pré-clínica, etapa inicial do desenvolvimento de um novo medicamento.
O que sabemos?
- Pesquisadores da UFPI e UFPB desenvolvem nanoformulação para tratar glioblastoma.
- Estudos publicados na revista Springer Nature, realizados em laboratório com células humanas.
- Tecnologia envolve nanopartícula com quitosana que potencializa o efeito do quimioterápico temozolomida.
- Ainda não confirmado se a tecnologia funciona em modelos animais, etapa a ser realizada.
- Pesquisa iniciada em 2024 e com previsão de conclusão em 2028.
Fontes
- G1 imprensa





