Ciência

Estresse no trabalho aumenta em dez vezes o risco de disfunção erétil, aponta estudo

Em apuração ?

Pesquisa revela forte associação entre pressão psicológica e saúde sexual masculina, mesmo após considerar fatores como idade e hábitos de vida

Homem preocupado no ambiente de trabalho
Imagem: G1

Um estudo com 826 homens mostrou que níveis elevados de estresse no ambiente profissional podem estar ligados a uma maior incidência de disfunção erétil. A condição, que afeta a sexualidade de homens jovens, apresenta uma relação de causa e efeito ainda não confirmada oficialmente.

Um estudo recente publicado no International Journal of Clinical Practice traz uma preocupação que vai além do estresse cotidiano: a relação entre a pressão no trabalho e a saúde sexual masculina. Segundo a investigação, homens que passam por altos níveis de estresse psicológico no ambiente de trabalho apresentam uma chance 10,26 vezes maior de desenvolver disfunção erétil em comparação com aqueles que enfrentam menor pressão.

Conduzido com 826 homens com idades entre 22 e 40 anos, o estudo trouxe a média de idade de aproximadamente 31 anos e considerou participantes que trabalhavam em período integral. Para evitar fatores que poderiam distorcer os resultados, os pesquisadores excluíram indivíduos com histórico de doenças orgânicas associadas à disfunção, como diabetes ou hipertensão, além de distúrbios neurológicos ou endócrinos. A maioria dos participantes relatou níveis variáveis de estresse, que foram avaliados por meio de um índice criado especialmente para mensurar a pressão psicológica no trabalho.

Os resultados mostraram uma clara progressão na incidência de disfunção erétil: enquanto apenas 8,21% dos homens classificados como de baixo estresse apresentaram o problema, essa taxa subiu para 54,37% entre aqueles com níveis de estresse considerados altos. Além da relação direta, os dados indicam que, conforme o stress aumenta, também crescem os níveis do hormônio cortisol — relacionado à resposta ao estresse — e há uma queda na testosterona, o que pode ocorrer ao longo de semanas e preceder a piora na função sexual. O estudo destaca ainda que a jornada de trabalho foi o fator de maior impacto, com jornadas longas associadas a uma maior incidência de disfunção erétil.

Segundo o urologista responsável pela análise, ainda que haja uma forte associação, o desenho observacional da pesquisa não permite afirmar categoricamente que o estresse causa a disfunção. “Na prática: trate o estresse ocupacional como fator de risco modificável importante, mas mantenha a avaliação de causas orgânicas conforme rotina”, recomendou o especialista. Ainda não há confirmação oficial sobre possíveis riscos ou efeitos colaterais de medicamentos utilizados para tratar a condição, como medicamentos em bala gummy, que têm sido discutidos em outros contextos, mas essa questão ainda aguarda maiores investigações.

O estudo foi realizado entre março de 2022 e agosto de 2024, e os pesquisadores planejam novas análises para compreender melhor a relação entre fatores laborais e saúde sexual masculina. O assunto alerta para a necessidade de atenção às condições de trabalho e ao impacto que a rotina profissional pode ter na qualidade de vida dos jovens homens, que muitas vezes negligenciam sintomas ou evitam buscar ajuda.

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O que sabemos?

  • Homens de 22 a 40 anos participaram do estudo.
  • Nível alto de estresse no trabalho aumenta a chance de disfunção erétil em até dez vezes.
  • O estudo avaliou fatores como jornada de trabalho, apoio do supervisor e relacionamento com colegas.
  • Jornadas longas foram apontadas como o maior fator de impacto na saúde sexual masculina.
  • A relação entre estresse e disfunção é de forte associação, mas não confirmada como causa direta.

Fontes

  • G1 imprensa
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